'Proibi todo mundo de mexer nele'
A jornalista Aline Zamboni guarda com carinho alguns objetos, como um jogo de sobremesa de prata que perteceu à sogra e um relógio cuco que o marido ganhou da tia, mas alguns pertences do avô materno têm um encanto especial. Um jogo de damas e um de dominó lembram os vários momentos de brincadeira, mas um rádio de 1959 é alvo de atenção especial. Meio descascado pelo tempo, com um detalhe faltando aqui e ali, o velho aparelho ainda funciona e o único reparo necessário é a troca do cabo de energia.
''Me lembro desse rádio de quando era pequena. Meu avô costumava ouvir a rádio Brasil Sul na hora do almoço. Ele precisava usar muletas por causa de um acidente e quando o rádio saía de frequência ele batia nele com a muleta para tentar consertar. Um tempo depois que meu avô faleceu eu pedi o rádio e minha avó me deu'', explica.
Aline conta que como gosta muito de ouvir rádio até comprou um outro aparelho com estilo retrô, mas nada se compara ao original, que já rendeu, inclusive, momentos de desespero quando a diarista guardou o objeto dentro de um armário. ''Quando eu cheguei em casa e não vi o rádio, entrei em desespero. Eu sei que ninguém ia entrar aqui para levar justo esse rádio, mas na hora não consegui pensar direito, saí do controle. Agora proibi todo mundo de mexer nele'', afirma rindo.
Um jogo de dominó e um de damas também são lembranças queridas do avô e da infância. ''Ele era muito bravo, mas quando queria brincar com a gente ele dizia para minha avó que aquele dia ia ter 'pato' para o jantar. Era a nossa senha para as brincadeiras. Ele aproveitava para reforçar a importância de estudar, o que sempre ficou na minha memória.'' (E.G)





