Umuarama - Um promotor de Justiça espanta-se ao saber que moradores de Icaraíma estão bravos porque o tráfego intenso e pesado de veículos - novidade na região - foi desviado da área urbana. Reclamam, querem, fazem questão de ver dezenas de caminhões e carretas carregados cruzando diariamente suas ruas e avenidas. É um paradoxo, considerando que em muitas outras cidades, a população protesta e exige a saída do tráfego pesado de áreas habitadas. O que leva a população de uma cidade a reivindicar um ‘‘abacaxi’’ desses?, pergunta o promotor.
Ele lembra que o simples trânsito de veículos e pessoas não tem poder de alavancar a economia de uma cidade. Os benefícios econômicos são muito pequenos, perto dos problemas que a cidade terá. Os caminhões pesados vão esburacar o asfalto das ruas, o barulho e a sujeira vão incomodar muito e as crianças não poderão mais circular livres e em segurança pela cidade porque poderão ser atropeladas e mortas. Os adultos também.
Então o que leva uma comunidade a querer aquilo que pode virar um ‘‘presente de grego’’. A avidez por alguma coisa, qualquer coisa que acene com a possibilidade de tirá-la da estagnação econômica, do isolamento. Alguns municípios pequenos do interior buscam alternativas de progresso econômico com tanto afinco que acabam não percebendo que algumas portas abertas podem trazer problemas e não riquezas. Esta pode ser a explicação também para o fato de dois municípios da região terem se ‘‘candidatado’’ a sediar a penitenciária regional que está sendo reivindicada pela polícia, quando o normal é as comunidades recusarem este tipo de obra.
A falta de alternativas cria situações até engraçadas. Há alguns anos, lideranças regionais brigavam pela construção da ferrovia Cianorte/Guaíra e não entendiam porque o prefeito de Umuarama na época, Antônio Romero Filho, não se empenhava na luta. A explicação parece ter sido convincente porque a reivindicação acabou esquecida. ‘‘Para que queremos uma ferrovia? Só produzimos gado e não se transporta bois em trens’’.

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