O Sive irá funcionar na Zumbi dos Palmares, escola com 900 crianças matriculadas
O Sive irá funcionar na Zumbi dos Palmares, escola com 900 crianças matriculadas | Foto: Marcos Zanutto - Grupo Folha

A partir deste mês, de forma oficial, as escolas municipais e CMEIs (Centros Municipais de Educação) de Londrina passarão a contar com dois programas que têm como principal objetivo a segurança e resguardo dos alunos e prédios públicos. Denominados de Professor mediador e Sive (Sistema de Informações sobre a Violência nas Escolas), as iniciativas foram lançadas na terça-feira (27), em cerimônia promovida na prefeitura.

O Professor Mediador contará com quatro docentes, que atuarão nas regiões norte, sul, leste e oeste como referências para ajudar a resolver conflitos dentro do ambiente escolar, como casos de bullying, evasão e agressão. Na zona rural, haverá uma equipe da secretaria de Educação. Estes professores terão um cronograma de visita, estando presentes em instituições diferentes em cada dia da semana para promover os atendimentos e sanar dúvidas. Estes profissionais vêm passando por formações nas últimas semanas.

Os professores vão trabalhar em articulação com a Rede Intersetorial de Proteção da Criança e do Adolescente dos territórios, que inclui os Cras (Centros de Referência de Assistência Social), Conselho Tutelar, polícia e assistência Social como um todo. “Caso o mediador não esteja na escola, o professor vai ligar para ele, que vai entender a situação e saber quem irá acionar”, explicou Maria Tereza Paschoal de Moraes, secretária municipal de Educação. “Tem o diretor, que cuida da parte administrativa, o coordenador pedagógico, que cuida da aprendizagem, e o professor mediador, que vê o relacionamento deste aluno”, acrescentou.

Ainda de acordo com a secretária, o programa Professor Mediador começou com uma iniciativa piloto em 2017, a partir de uma sugestão do vereador Amauri Cardoso (PSDB), que também é professor da rede municipal. Cardoso foi o primeiro professor mediador a atuar no município. A intenção é que todas as unidades contem com este profissional, o que será estudado para o próximo ano. Paschoal apontou que uma das principais linhas de atuação será em relação a faltas. “Quando começa a faltar muito, normalmente, há indícios de negligência, que é uma violência que este aluno está sofrendo. É preciso ter rapidez no socorro à criança”, defendeu.

UNIÃO DA VITÓRIA
Já o Sive é uma ferramenta instituída por lei do vereador Amauri Cardoso. Permitirá que todas as instituições de ensino façam o registro online de situações de conflito ou grave indisciplina, danos patrimoniais e de ações que correspondam a crimes ou atos infracionais. A lei que instituiu este programa foi aprovada em 2012, no entanto, o decreto regulamentando a proposta só foi assinado na terça-feira. "A ideia é que possam ser tabulados dados técnicos, fidedignos, para embasar as ações do Poder Público", afirmou o vereador.

O sistema irá funcionar, como piloto, na Escola Municipal Zumbi dos Palmares, no União da Vitória, região sul.Caberá ao diretor da escola, ao vice-diretor e ao coordenador pedagógico a responsabilidade pelo registro das informações. Os servidores receberão capacitação na quinta (29), com o Sive entrando em funcionamento na sexta-feira (30). “Somos a maior escola da cidade, então, se der certo aqui, o mesmo vai acontecer em outros lugares. Vamos testar por um mês e repassar à secretaria de Educação as falhas, caso existam, para correção”, detalhou a diretora do Zumbi dos Palmares, Marlene Valadão. Após este período, o sistema será levado a todas as escolas e CMEIs municipais.

A expectativa da diretora é que o programa otimize o dia a dia da unidade diante de conflitos e outros tipos de intercorrências. “Atualmente, quando tem uma ocorrência, preencho um documento que fica dentro do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), mando para o Conselho Tutelar, Cras, Creas, dependendo da situação, e uma cópia para a secretaria. Agora, com o Sive, vai ser mais rápido. Vou ter uma aba para inserir a queixa, e a professora mediadora, que inclusive é daqui, é quem vai fazer todo este processo e trabalhar junto conosco”, elencou.

FAMÍLIA
A escola Zumbi dos Palmares tem aproximadamente 900 meninos e meninas matriculados, do P5 ao quinto ano, de manhã e a tarde. São 74 professores. Marlene Valadão indicou que, na maioria das vezes, os problemas relacionados aos alunos começam dentro de casa. “Quando traz algum 'sintoma' para a escola, em 99,9% das vezes traz da família. Temos contextos de que a família não está presente, com a criança com muita falta, vamos atrás, e mesmo assim os pais não dão importância. Com os dois programas, professor mediador e Sive, vamos ter um auxílio para resolver”, disse. Com o mapeamento, ainda será possível adotar medidas de combate à violência a partir da peculiaridade de cada instituição de ensino, incluindo a contra o patrimônio.

Apesar do tamanho, em números e estrutura, a Escola Municipal Zumbi dos Palmares não tem registros de furtos ou vandalismo nos últimos meses. A instituição desenvolve várias atividades para aproximar a comunidade, como abrir aos fins de semana, oferecer cursos profissionalizantes e lanches.

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