Programas exigem contra-partida dos beneficiários
Os londrinenses pobres contam hoje com diferentes programas de transferência de renda, tanto da esfera federal quanto da municipal. Os valores repassados variam de R$ 18,00 a R$ 172,00. O governo federal autorizou um aumento de 8% no Bolsa Família, que vai valer a partir deste mês. São 33 mil famílias cadastradas e 13 mil que recebem algum tipo de benefício. Levando em consideração o número médio de quatro pessoas por núcleo familiar, são 134 mil cadastrados e 52 mil atendidos pelos programas governamentais por estarem em situação de pobreza ou de pobreza extrema.
Os programas são destinados a diferentes necessidades e têm exigências diferentes. Cada beneficiário pode receber um auxílio municipal e outro federal. A Secretaria Municipal de Assistência Social está organizando um cadastro único para centralizar os benefícios governamentais.
A avaliação depende de critérios como condição de habitação e número de crianças ou adolescentes em atraso escolar, de pessoas com deficiência e de crianças desnutridas, de vítimas de violência e de usuários de drogas. O sistema de informações municipal está atualizando 100% deste cadastro.
Outros dados, de acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, derrubam alguns mitos sobre programas como o Bolsa Família. Um exemplo é o número de beneficiários empregados. ''Mais de 50% dos que recebem algum tipo de bolsa estão no mercado formal de trabalho'', declara a gestora municipal do Bolsa Família, Marilys Garani.
A secretaria recebe os nomes dos interessados através de cadastros feitos nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras). As assistentes também visitam as famílias para verificar o índice de vulnerabilidade. E assim, explica Marilys, os programas cumprem seus três benefícios primordiais: alívio imediato da pobreza, redução da evasão escolar e inclusão na educação e o desenvolvimento das localidades.
''Quando as crianças têm mais sucesso escolar, caem os índices de trabalho infantil. As mães cuidam mais da saúde das crianças. E todos se ajudam porque se um falta na escola, por exemplo, todos são prejudicados. Por isso, as responsabilidades são compactuadas pela família'', ressalta.
Já o desenvolvimento das comunidades é proporcionado por cursos de capacitação como cabeleireiro e artesanato, que têm como consequência a redução da exploração do trabalho precarizado, como de diaristas sem registro em carteira, por exemplo. ''(Os programas) Não são uma política compensatória, mas de inclusão social. A transferência de renda é um direito inerente à dignidade humana'', conclui. (F.R.F.)





