Programas atendem crianças em situação de risco
Marccio W. Varella

Marcos Negrini
JardinagemAdolescentes carentes plantam flores na Praça da Catedral; o plantio já foi feito na Avenida TiradentesMaringá não tem crianças e adolescentes vivendo nas ruas, sem famílias, abandonadas. Mas tem cerca de 2 mil crianças e adolescentes entre zero e 17 anos fora da escola e que se alimentam mal, morando principalmente nos dois bairros mais pobres da cidade, Santa Felicidade e Conjunto Requião, segundo um levantamento feito pelo vereador Basílio Bacarin (PSDB).
É em função dessas crianças e adolescentes que trabalham dois programas de prestação de serviços ligados à prefeitura. Um deles é o SOS Criança, da Fundação de Desenvolvimento Social.
A sede do SOS fica ao lado do prédio da prefeitura, no centro da cidade. O programa atende a crianças em situação de risco social e pessoal (maus-tratos, uso de drogas, evasão escolar, violência física), através de abordagens nas ruas e atendimento às denúncias, a maioria anônimas, feitas ao telefone 1407.
Abordagem Com seis educadores sociais, dois motoristas, dois auxiliares de escritório (que atendem as denúncias) e uma Kombi, o grupo de abordagem vai às ruas diariamente das 8 às 12h30 e das 13h30 às 22 horas.
Sua função é recolher meninos e meninas vadios e colocá-los nos projetos ‘‘Da Rua para a Escola e Formando Cidadão’’, do governo estadual.
No projeto Da Rua para a Escola, a família da criança que retornou ou iniciou a escola ganha uma cesta básica. No segundo, os garotos são enviados para ajudar no trabalho burocrático interno do 4º Batalhão de Polícia Militar de Maringá.
Consultas Além disso, esses dois projetos têm verbas para que, semanalmente, os educadores levem as crianças para lanchonetes e cinema e ainda participem de programas pedagógicos na sede do SOS.
Os recolhidos são cadastrados e mensalmente fazem consultas com psicólogos da prefeitura. A evolução de cada criança é acompanhada de perto pelos educadores.
Em abril passado, o SOS recolheu 54 crianças nas ruas centrais e periféricas de Maringá. Esta é a média mensal, segundo a psicóloga Yara Aparecida Martins, 36 anos, coordenadora do SOS Criança de Maringá. Em abril, o SOS fez 268 rondas diurnas e noturnas.
Situação difícil Atender as denúncias, segundo a psicóloga, é a situação mais complicada. Em março, foram 60 denúncias; em abril 41. A média mensal é de 50. A maioria delas é atendida pela própria Yara.
‘‘Encontramos pais alcoólatras que batem nos filhos, meninos que são mal-tratados. Se for necessário, chamamos a polícia, fazemos um relatório e o encaminhamos ao Conselho Tutelar, que toma as meidadas legais’’.
Também nesses casos, os garotos são atendidos pelos programas do SOS Criança. ‘‘Todas as crianças que atendemos, nos dois casos, têm famílias, a maioria delas carentes. Mas, se compararmos com as capitais de estados, Maringá não tem muitos problemas neste setor’’, afirmou Yara.
Yara avisa que se o telefone 1407 estiver ocupado, o denunciante pode ligar para o número 262-6262, Bip 100849. O SOS foi implantado há cinco anos.

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