Maigue Gueths
Quando sabe-se que 30% dos adolescentes entre 15 e 19 anos já têm vida sexual ativa e que 18% das meninas já engravidaram pelo menos uma vez, é necessário questionar o que tem sido feito para conscientizar e apoiar estes jovens. Nas escolas não existem mais aulas de educação sexual. Fala-se no assunto em aulas de ciências no 1º Grau e em aulas de biologia no 2º Grau. Novos parâmetros curriculares indicam, no entanto, que o assunto deve ser conversado e discutido por todos os professores, permeado dentro de cada matéria.
‘‘A sexualidade não é um assunto técnico para ser abordado de qualquer jeito. O professor tem que estar preparado, ter sensibilidade e tempo para tratar o tema’’, diz Beatriz Ligmanozki Ferreira, assessora pedagógica do Departamento de Ensino de 2º Grau da Secretaria de Estado da Educação. Hoje, segundo ela, ‘‘a escola que tiver um bom entendimento aborda o assunto, caso contrário, não fala’’.
As secretarias da Saúde e Educação começam este ano um programa para capacitar os professores sobre três temas: gravidez precoce, prevenção ao uso de drogas e Aids. O projeto durará quatro anos e deve atingir todos os municípios abrangidos pelos 30 núcleos regionais de educação no Estado. Neste ano, o projeto será levado às seis cidades com maior índice de casos de Aids: Curitiba, Londrina, Maringá, Paranaguá, Foz do Iguaçu e Cascavel. Para Beatriz, esta iniciativa será muito importante, pois os alunos têm grande interesse em ouvir e discutir temas como a sexualidade. ‘‘À escola cabe criar momentos de reflexão e não só de informação. Ela tem que produzir uma transformação dentro dos alunos’’, diz.
A Pastoral da Criança tem uma nova experiência: o projeto Rodas de Conversa sobre afetividade, sexualidade e planejamento familiar, que reúne pais, professores e adolescentes em grupos de conversa, onde se discute de tudo, desde gravidez, drogas, violência e outros temas de importância para a comunidade. Até agora foram realizadas três rodas, uma em Matinhos e duas em Fortaleza e está sendo preparada outra para Paranaguá. A intenção é estender o projeto, através de parcerias, para todas as comunidades do Brasil a partir do ano 2000.
Para Ana Maria Bittar, coordenadora do projeto, as conversas são importantes para que o jovem possa ouvir, falar e principalmente aprender a escolher entre as alternativas que se apresentam no seu dia-a-dia. Outra iniciativa parecida é a do laboratório Shering do Brasil, fabricante de preservativos que decidiu desenvolver um projeto social que ajudasse na conscientização e formação das pessoas a respeito da sexualidade responsável. Em seis anos, a empresa investiu em torno de R$ 3,6 milhões com o programa, que atendeu mais de 500 mil adolescentes até 1998. O projeto percorre escolas públicas e particulares de cinco estados brasileiros, levando informações e promovendo debates para os adolescentes.
As secretarias de Saúde do Estado e de Curitiba mantêm projetos que apóiam a adolescente grávida, que funcionam de forma bastante semelhante. No Estado, o Centro de Apoio ao Adolescnte funciona junto ao Centro Regional de Especialidades, e na Prefeitura, na Unidade de Saúde da Mulher. Nos dois casos, a gestante recebe todo tipo de atendimento: pré-natal, obstetra, pediatra para o bebê após o nascimento e ainda o acompanhamento psicológico, em grupos dos adolescentes, para conversar sobre a situação.

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