Programação de Rolândia dura 10 dias
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de setembro de 1997
Alexandre Sanches Londrina 
Arquivo FolhaÁgua na bocaO cardápio especil de comida típica (com café colonial) é um dos atrativos da festa A Oktoberfest de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), já na 10ª edição, quer consolidar-se como uma das maiores do gênero no País. Durante 10 dias - de 3 a 12 de outubro -, a música, dança, folclore e pratos típicos alemães estarão reforçando a tradição e a importância da colonização germânica no município.
Criada como uma festa familiar, a Oktoberfest de Rolândia iniciou na década de 80 com a Igreja Luterana. As primeiras edições, em estilo quermesse, foram realizadas no pátio da Matriz. Em 1992, a prefeitura encampou a festa, transferindo-a para o Complexo Esportivo Emílio Gomes, local que permanece até hoje. A comunidade luterana ficou responsável pelo café colonial - barraca com doces e frios alemães.
A Oktoberfest de Rolândia cresceu e ganhou fama na região. Por conta deste crescimento, a comunidade luterana abandonou a participação na festa durante três anos. Segundo o pastor Reine Luís Leptag, a festa serviu para retratar a cultura alemã através de uma festa popular. Foi o que popularizou a tradição alemã em Rolândia. Mas infelizmente ela perdeu suas características com o tempo, transformando-se numa grande festa do chope, comenta.
Nos últimos anos, a comunidade alemã reclamou que os bailes não davam mais ênfase às músicas alemãs, mas sim sertanejas, rocks e sambas, procurando agradar o público jovem que domina nos dias da festa. Assim, Leptag divide a Oktoberfest local em três etapas: a primeira, com tradição familiar; depois a fase negra, com influência da comunidade e diversas entidades que visavam o lucro e usavam a tradição alemã como fachada.
Arquivo FolhaCulturaO roteiro de música e dança colaboram para manter viva a história dos colonizadores
Nesta época, a comunidade luterana, que organizava a barraca do café colonial, se afastou. A terceira fase, a atual, segundo o pastor, retrata a preocupação da volta aos costumes. Depois de três anos, resolvemos voltar porque está sendo resgatada a tradição alemã.
Preparativos O Complexo Esportivo Emílio Gomes está sendo preparado para receber cerca de 100 mil visitantes durante os 10 dias de Oktoberfest. Segundo o presidente da comissão organizadora, Luís Armacolo, a festa deste ano será realizada numa estrutura um pouco menor que a dos três últimos anos, mas será marcada pela volta das tradições.
Ao invés da tenda de circo, armada no estádio, a comissão preferiu retornar aos ginásios do Complexo Esportivo Emílio Gomes. Estamos concluindo uma quadra nova de 1.200 metros para o restaurante e a adaptação do ginásio principal, com 1.400 metros, para os bailes. A caracterização e a pintura estão sendo feitas em estilo germânico. Queremos voltar às características das primeiras festas, ressaltou.
Um pavilhão de 1.200 metros quadrados - construído especialmente para o evento - servirá de restaurante. Ali serão servidos pratos típicos alemães, além de churrasco e frango assado. Nos pavilhões de baile, cinco bandas vão mesclar músicas alemãs com outros estilos, agradando a todas faixas etárias. Em uma das quadras, uma banda tocará somente marchinhas alemãs.
Entre as apresentações musiciais e de danças folclóricas, serão realizados os concursos de chopp em metro e serra braçal (traçador) - vence a dupla que cortar em primeiro um tronco de árvore, seguindo a tradição de lenhadores alemães.


