Michele Muller
De Curitiba
A Prefeitura de Curitiba lançou ontem, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, a ampliação do programa Olho D’Água, que promove o monitoramento da qualidade da água dos rios da cidade. A cerimônia de lançamento foi realizada no Parque Barigui, com a presença do prefeito Cássio Taniguchi, do secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Raymundo José dos Santos Garrido e de centenas de crianças de escolas da rede pública.
Lançado em 1997, o projeto atendia 44 pontos em Curitiba. Graças a uma verba de R$ 400 mil recebida do Ministério do Meio Ambiente, o número de rios e córregos monitorados foi ampliado para 100. Parte dos recursos será aplicada na compra de equipamentos no desenvolvimento de um softer para auxílio na análise de água. A verba servirá ainda para manter o Programa de Despoluição Hídrica (PDH) – também da prefeitura – que faz a correção de ligações irregulares de esgoto na cidade.
O trabalho de coleta de água é feito por alunos de 1º grau de colégios municipais e estaduais. Orientados pelo professor, eles misturam à mostra diversos reagentes para testar os níveis de oxigênio, nitrogênio, nitritos, fosfato e restos fecais do rio. O resultado dos testes é encaminhado à Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Se existe necessidade, a equipe de limpeza da prefeitura se responsabiliza por devolver a claridade das águas. Em três anos, já foram retirados 1,4 milhão de quilos de lixo dos rios curitibanos.
Problema urbano O secretário de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, Raymundo José dos Santos Garrido, disse à reportagem da Folha que tem a intenção de levar a iniciativa a outros município brasilerios. ‘‘A gestão de recursos hídricos tradicionalmente é feita nos campos. Mas a maior parte da população vive em grandes centros urbanos, onde não existe um rio que não esteja poluído’’, afirma.
Ele diz que o Ministério deve mudar esse quadro incentivando projetos municipais semelhantes ao Olho D’Água. As parcerias devem permitr a redução do custo normal de tratamento de água, que segundo o secretário, custa R$ 1,7 por metros cúbico.
A poluição de rios também é responsável por gastos em hospitais. Raymundo José garante que 65% dos custos com internação hospitalar de crianças devem-se a doenças de vinculação hídrica.

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