Programa vai combater câncer no colo do útero
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Uma das principais causas de mortalidade feminina brasileira, o câncer de colo de útero, está sendo combatida através do Programa Viva Mulher, lançado ontem em Curitiba, em fase experimental, pela prefeitura e pelo Ministério da Saúde. Ano passado, a doença causou mais de 3 mil mortes no Brasil, 54 das quais em Curitiba. O programa também foi implantado ontem em Brasília e Rio de Janeiro, além de Belém e Recife, as duas recordistas mundiais em mortalidade por câncer no útero.
O programa espera aumentar em 40% o número de exames preventivos. Em Curitiba são realizados anualmente cerca de 150 mil exames deste tipo, 50% nas unidades de atendimento da Secretaria Estadual de Saúde.
Através do programa Viva Mulher, as mulheres com idades entre 35 e 49 anos serão incentivadas a realizar o exame citológico, que detecta o câncer de útero, e a prosseguir com o tratamento, caso necessário. Todas as unidades de saúde da prefeitura estarão realizando estes exames. Em Curitiba, espera-se atingir 100 mil mulheres nos próximos dois anos.
Escolhemos esta faixa etária por ser a mais sujeita à doença, explicou uma das coordenadoras do programa, Carmencita da Luz. Ela disse que a principal causa deste câncer é a falta de prevenção.
Outras causas do câncer de colo de útero seriam o número elevado de filhos ou a troca constante de parceiros sexuais, segundo explicou Carmencita.
Segundo ela, o ideal é que o exame seja feito por dois anos seguidos e a partir daí, se nenhum problema for detectado, com intervalos de três anos.
Carmencita disse que em países desenvolvidos, como o Canadá, o câncer de útero tem índice zero de incidência. No Brasil, a estimativa é de que a doença atinja cerca de 20 mil mulheres doentes.
Depois dos problemas cardiovasculares, o câncer é a doença que mais mata mulheres no País. Dentro deste quadro, o câncer de útero está em quarto lugar, disse Carmencita.
O projeto atingirá mulheres de todas as classes sociais, através de campanhas publicitárias. Após a fase experimental, o Viva Mulher deverá ser implantado na maioria das cidades brasileiras.


