O Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET), implantado há seis meses em Campo Mourão, está atendendo 159 crianças. Elas recebem assistência em período integral de orientadoras em três centros de integração mantidos pela prefeitura em bairros da cidade. O programa é mantido através de convênio com o governo federal.
As crianças foram encaminhadas pelo Conselho Tutelar. Todas elas estavam trabalhando nas ruas. Algumas sustentavam as famílias. Através do PET, as crianças recebem uma bolsa familiar de R$ 40,00 por mês e participam de atividades visando o resgate social no contra turno escolar.
‘‘O objetivo é diminuir a exploração do trabalho infantil’’, diz a psicóloga Sílvia Andréia da Rocha, da Secretaria Municipal de Saúde e Ação Social. ‘‘Era grande o número de crianças que trabalhavam nas ruas para ajudar a família a sobreviver’’. A ajuda de custo dada pelo programa é temporária, até a família se estabilizar.
Roberto Carlos da Silva, 13 anos, trabalhou como engraxate por quase dois anos até ser atendido pelo PET. Ele conta que ganhava mais dinheiro trabalhando, mas, mesmo assim, prefere continuar no Centro de Integração do Lar Paraná. ‘‘Aqui é mais garantido’’, diz.
Cristiano de Oliveira, 14 anos, que trabalhou como engraxate desde os 7 anos, pensa diferente. ‘‘Eu preferia estar engraxando. Ganhava pelo menos R$ 5,00 por dia e andava por toda a cidade’’. Segundo o Conselho Tutelar, Cristiano saía para trabalhar e costumava dormir na Praça São José, no centro da cidade. Jéferson dos Santos, 14 anos, também diz ter saudades dos tempos de engraxate. ‘‘Eu podia comprar mais coisas para mim’’.
O presidente do Conselho Tutelar, Samuel Kozelinski, lamenta que o parâmetro de comparação dos adolescentes seja o rendimento mensal. Segundo ele, às vezes é preciso fazer ‘‘vistas grossas’’ sobre o trabalho infantil para não provocar um problema social ainda maior. O órgão prioriza a ação contra menores em funções insalubres e exige que todos estejam estudando.
Os Centros de Integração mantidos pela prefeitura atendem cerca de 700 crianças e oferecem atividades de apoio pedagógico e de recreação, além de iniciação no teatro, capoeira, artesanato e outras atividades.

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