Programa traça futuro de entidades assistenciais
Guilherme Pupo
Ler uma estória, ensinar trabalhos manuais ou banhar um recém-nascido são tarefas simples que podem transformar o cotidiano das crianças e adolescentes que vivem em casas assistenciais. Encontrar pessoas que trabalhem como voluntários nessas entidades é o objetivo do Pacto - Programa de Ação Comunitária Total, lançado em dezembro pelo Tribunal de Justiça (TJ).
Ontem, representantes de cerca de 40 entidades assistenciais de Curitiba participaram da primeira reunião do projeto, desenvolvido em parceria com a Corregedoria Geral da Justiça, Procuradoria Geral de Justiça e Juizado da Infância e da Juventude do Paraná.
As entidades devem preencher uma ficha relatando suas carências materiais ou de recursos humanos. As informações serão armazenadas na coordenação do Pacto e os funcionários do projeto devem encaminhar os voluntários às entidades. Outra meta do programa é fazer o levantamento do número de menores atendidos pelas entidades.
Não queremos dinheiro, mas um trabalho de afeto e solidariedade, disse Carmen Lúcia de Almeida, coordenadora do Pacto e juíza da Infância e da Juventude. Ela observa que não há limites para o trabalho voluntário. Os interessados podem dar aulas de arte, música, dança ou natação, organizar passeios, montar uma biblioteca ou uma horta, formar times esportivos, ensinar um idioma ou até uma receita culinária.
Essas crianças não estão tendo uma vida plena. Foram tiradas da rua, mas estão com o abandono afetivo e uma carência imensa, explica a juíza Carmen Lúcia de Almeida.
Um exemplo da falta de recursos humanos e acompanhamento constante das crianças é a Associação Lar Moisés. A entidade abriga 25 crianças e tem apenas dois funcionários efetivos - a diretora e uma cozinheira. Só não temos mais crianças porque recusamos, já que não há condições de cuidar delas 24 horas por dia, comenta a diretora Roseli Alves Maia.
O objetivo do Pacto é atender às 78 entidades registradas junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Em uma segunda fase, a idéia é estender o programa para entidades assistenciais em todo o Estado. Nos próximos dias, o Pacto deve ganhar uma sala própria.





