A implantação da coleta seletiva em Londrina, em 1996, foi um marco para muitas famílias que trabalhavam no lixão da cidade. A mudança para os barracões do programa significaram uma melhoria na qualidade de vida, apesar das dificuldades que ainda enfrentam.
Uma das principais adversidades é a falta de equipamentos para beneficiar o material recolhido. Um moedora para o PAD (tipo de plástico) proporcionaria aumento de ganhos para os integrantes das ONGs. Mas como esses equipamentos são caros boa parte dos ganhos ficam com os ''atravessadores.''
Mesmo assim, os integrantes das organizações conseguem ganhos mensais de até R$ 450,00. Este é o valor que a recicladora Maria Aparecida Fernandes, 21 anos, costuma obter com o trabalho de separação e encaminhamento do lixo na ONG sediada na Área Central da cidade. E é com esse salário que ela sustenta os três filhos.
Uma situação bem melhor hoje em dia para quem aos 9 anos já tirava a sobrevivência do lixo. ''Eu ia com meus pais. Era muito ruim. Tudo era difícil: o cheiro, às vezes tinha lixo hospitalar jogado. Agora na coleta seletiva é bem melhor'', diz.
E Maria Fernandes é apenas mais uma de um grupo formado por 500 recicladores que sobrevivem diretamente do programa de coleta seletiva. Esse número não inclui os catadores de papel que trabalham espalhados pela cidade, sem fazer parte de organizações formais.
De acordo com o coordenador do programa na cidade, José Paulo da Silva, o crescimento de 10% no volume de material reaproveitado apenas no último semestre possibilitou um aumento no número de ONGs envolvidas no programa. Hoje, 34 fazem parte do programa.
A divisão dos lucros é proporcional ao número de horas trabalhadas. As despesas das ONGs são com as contas de luz e de água dos barracões, cujos aluguéis ainda ficam sob responsabilidade da administração municipal.
Quanto às queixas sobre falhas no recolhimento, José Paulo argumenta que o índice de 40 reclamações diárias é baixo, se for levado em consideração que a cidade tem 150 mil residências. (F.R.F)

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