Programa tenta obter emprego para ex-presos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Paulo Grein 
Especial para a Folha
No Paraná, cerca de 720 detentos saem das penitenciárias estaduais todos os anos. Desse total, menos de 30% conseguem uma vaga no mercado de trabalho. O restante vive na marginalidade e muitos (cerca de 20%) acabam voltando a cometer delitos. Segundo Maria Inês Prevedello Pereira, coordenadora de Mão de Obra da Secretaria de Emprego e Relações de Trabalho (SERT), esse número se deve ao alto grau de analfabetismo entre os detentos, falta de experiência em trabalhos anteriores, ausência de qualificação profissional, e, principalmente, o preconceito da sociedade em absorver essa mão-deobra.
Para discutir a participação e a colocação dos ex-presos no mercado de trabalho, a Coordenadora de Intermediação de Mão deObra da SERT, está realizando um encontro envolvendo a Secretaria de Estado da Justiça, (SEJU), sociólogos, psiquiatras e ex-presidiários, além de um empregador de ex-detentos. Para o secretário do Trabalho, Pedro Granado Martines, o objetivo do encontro é oferecer uma visão macro do problema, pois serão ouvidos relatos de ex-presidiários plenamente reintegrados ao mercado de trabalho, e discutir o que o aparelho oficial está fazendo para recuperar essa massa de potenciais trabalhadores que ficaram detidos pelo sistema.
Em dois anos de trabalho do Programa Pró-Egresso, segundo a coordenadora de Mão-de-Obra da Secretaria da Justiça, foram totalmente reintegrados 45 ex-detentos. É pouco em relação à demanda de empregos, admite, lembrando que apenas neste ano 500 detentos foram libertados das penitenciárias paranaenses.
O programa, em operação há dois anos em Curitiba, será estendido a 18 municípios do Paraná e também prevê o acompanhamento do ex-presidiário nas áreas psicológica, sócio-econômica e jurídica. O diretor da Patronal Penitenciária do Estado, Kenedi Alves da Silva, afirma que as pessoas que entram no mercado de trabalho nunca voltarão ao crime. O diretor diz que, nos anos de 96 e 97, o índice de reincidência entre os egressos que passaram pelo programa é de menos de 3%.


