Programa tem adesão de 100 municípios
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 26 de maio de 1997
Paulo Pegoraro de Cascavel 
Edson MazzettoBeleza preservadaMata na região de Cascavel; mais 195 municípios devem aderir ao programa, com o compromisso de produzir e distribuir quantia superior a 100 mil mudasCem municípios paranaenses já aderiram e outros 195 preparam-se para participar do Programa Florestas Municipais, estruturado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Cada um tem o compromisso de produzir e distribuir mais de 100 mil mudas de árvores para recomposição de florestas. No Oeste do Estado, oito municípios já fazem parte do programa, e outros nove preparam-se para a assinatura de convênios.
O escritório regional do IAP em Cascavel informou ontem que os convênios devem ser assinados entre junho e julho. A engenheira florestal Sônia Maria Machado explica que cabe aos municípios estruturar viveiros de mudas e contratar técnico. O Estado oferece treinamento, supervisão, insumos e uma camionete Saveiro para o trabalho de campo, na distribuição das mudas em propriedades ou áreas públicas.
Trata-se mesmo da municipalização das ações de reflorestamento, observa Sônia Maria Machado. Esta descentralização envolve inclusive o viveiro do IAP em Cascavel, que anualmente coloca cerca de oitocentas mil mudas na região, entre nativas, como erva-mate, canafístula, canela, pitanga, pinheiro e outras, e exóticas, de fim energético, como eucalipto. Com os convênios, a demanda passará a ser suprida diretamente pelos municípios.
Com esta participação, deve ser acelerada a recomposição da cobertura florestal no Estado, que tem menos de 8% de seu território coberto por matas. Cada município deve produzir anualmente no mínimo 100 mil mudas para colocação no campo - propriedades particulares ou áreas públicas-, e mais 2,5 mil para arborização urbana ou às margens de rodovias. Entre os já conveniados no Oeste, Diamante do Sul (120 quilômetros ao sul de Cascavel) é o que tem meta mais ampla.
A Prefeitura de Diamante do Sul se propõe a produzir 150 mil mudas anuais para atender sua vocação extrativista, com muitas madeireiras instaladas na região. Cascavel, que se prepara para o convênio, tem como meta produzir 60% de mudas nativas e o restante erva-mate, atendendo programa de incentivo aos ervatais, uma alternativa de renda para as propriedades rurais.
Mudas nativas serão doadas para o plantio, enquanto que as exóticas se destinarão à venda, o que permitirá a composição do Fundeflor, fundo que impulsionará as ações, todas elas desdobramento do Sistema Estadual de Reposição Obrigatória (Serflor). Madeireiras e empresas da região que usam lenha como fonte de energia já manifestaram ao IAP intenção de plantar um milhão de mudas para extração. O eucalipto, por exemplo, permite aproveitamento em seis anos.
Segundo o diretor de Desenvolvimento Florestal do IAP, Luiz Carlos Herde, que esteve em Cascavel para encontro com chefes de escritórios regionais, no Paraná são consumidos 20 milhões de metros cúbicos de madeira por ano. Isso significa o corte de 200 árvores a cada minuto. O replantio não chega a 80 árvores por minuto, e o déficit acumulado anualmente é de 47 mil hectares.
O Oeste paranaense mantém hoje apenas cerca de 3% da cobertura florestal original e a devastação só é inferior a do Noroeste. Segundo Sônia Mara Machado, que atua no setor de educação ambiental do IAP, o Paraná tinha originalmente mais de 80% de seus 199 mil quilômetros quadrados cobertos por densa vegetação. A araucária, símbolo do Paraná, já ocupou quase 74 mil quilômetros quadrados do território estadual. Hoje restam apenas 5% desta área.


