Programa serve como 'intermediário'
Quem já precisou fazer algum conserto em casa conhece as dificuldades para obter um resultado satisfatório. Apesar da crescente oferta de mão-de-obra, a falta de qualificação é o maior problema. É o que diz José Ademir do Vale Bethier Fortes, superintendente técnico da Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho no Paraná (SERT) e coordenador do Programa Disque Pequenos Serviços.
Há cerca de dois anos, o programa vem sendo implantado em todo Estado com o objetivo de intermediar o profissional informal e o cliente. Hoje, ele existe em 22 municípios onde é coordenado pelas agências do trabalhador e escritórios regionais da SERT. A deficiência na divulgação e a rotatividade das equipes atrapalharam o alcance das metas. Até o final do ano, pretendíamos ter 50 cidades com o Disque Pequenos Serviços, mas chegaremos, no máximo, a 32, comenta Fortes.
O programa cadastra por mês de 300 a 400 novos profissionais entre encanadores, eletricistas, zeladores, jardineiros, pintores e pedreiros. O ideal para a SERT seria entre 800 e 1.000, número que o órgão pretende alcançar em pouco tempo com a retomada da divulgação que está prestes a começar.
Para se inscrever o profissional não paga nada. Mas vai precisar ir a agência do trabalhador/SINE mais próxima e apresentar a carteira de identidade, duas fotos 3x4, comprovante de endereço, referência de trabalhos anteriores, aprovação em entrevista de aptidão profissional, registro de autônomo, carnê do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social), atualização profissional para atender as exigências do mercado, atestado de bons antecedentes e não ter ficha de reclamação nos órgãos de defesa do consumidor.
De acordo com a SERT, o cadastro deve ser renovado a cada seis meses. O contato com o cliente é feito via agência do trabalhador, que é responsável pela orientação do profissional e controle dos atendimentos. Todo serviço é realizado com base num encaminhamento do programa, onde há uma parte destinada à avaliação do usuário. No Estado, Foz do Iguaçu é a cidade que atinge os melhores resultados, com 1.700 cadastrados e a média de 200 atendimentos por mês.
Em Londrina, o gerente da agência do trabalhador, Júlio Cesar dos Santos Zanoni, é otimista, apesar do programa não ter ainda o desempenho esperado. Ele acredita que a recém-contratação de quatro novos funcionários para trabalhar na unidade vai possibilitar a retomada do programa em setembro. Nosso maior problema é selecionar a mão-de-obra e lidar com a falta de recursos humanos, responsabilidade do município nesta parceria com o Estado.
A próxima etapa da SERT no combate ao desemprego é estimular a requalificação. Para isso, o órgão utilizará 80% da verba do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) destinado ao Estado. Ao contrário do que parece, não queremos sustentar a informalidade. Queremos apenas organizá-la. Sempre que possível procuramos devolver esses profissionais ao mercado de trabalho formal. (B.R.)





