Programa retira 1,2 mil
toneladas de lixo de rios
Desde que foi implantado há dois anos, o programa Olho D’Água já retirou 1,2 milhão de quilos de lixo dos rios de Curitiba, peso equivalente, por exemplo, ao de mil carros populares. O trabalho foi feito por equipes da prefeitura com a ajuda de cerca de 25 mil pessoas, como moradores dos bairros, alunos das escolas municipais e das creches, escoteiros e professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Além de retirar o lixo dos rios, o programa também monitora a qualidade da água e leva a discussão sobre a educação ambiental para o cotidiano da população.
O resultado do programa é visível, principalmente, nas margens do Rio Belém, onde já é possível observar uma redução na quantidade de lixo deixado pela população. ‘‘Esse é um resultado alcançado não só pela limpeza que a prefeitura tem feito nessas áreas, mas principalmente porque as pessoas estão mais conscientes dos problemas causados pelo lixo nos córregos e rios’’, observa a diretora de Pesquisa e Monitoramento da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Marilza Oliveira.
Periodicamente, uma equipe da SMMA vai até um dos 47 pontos incluídos no programa de limpeza de rios. Com barcos, caçambas e ferramentas especiais, os funcionários e moradores catam o lixo das margens dos rios Belém, Barigui, Atuba, Iguaçu, Passaúna e Ribeirão dos Padilhas. Ao mesmo tempo, uma unidade móvel - um ônibus articulado reciclado - apresenta painéis, vídeos e maquetes sobre educação ambiental.
‘‘Um dos principais objetivos deste trabalho é que um dia não seja mais necessário o trabalho da equipe de limpeza, quando não houver mais lixo para ser retirado’’, diz o secretário municipal do Meio Ambiente, Sérgio Tocchio. Desde o início do programa, já foram coletadas 1.222 amostras em 47 pontos espalhados pela cidade. As análises do programa estão servindo de base para que a prefeitura possa programar as intervenções necessárias em algumas áreas.
Durante o trabalho da equipe de limpeza, as pessoas se assustam com a quantidade de lixo retirado dos rios. ‘‘Quando a gente olha para o rio, nem percebe que tem tanto lixo. Já vi a equipe tirar até uma geladeira da água’’, diz o trabalhador autônomo Jenoir Nunes Madruga.
A unidade móvel, que acompanha a limpeza dos rios, funciona em um ônibus reciclado, com capacidade para receber 40 pessoas. Os moradores assistem a documentários sobre a qualidade da água, e tiram dúvidas sobre preservação ambiental. ‘‘Aprendi muita coisa, mas o que mais me chamou a atenção foi o tempo que o lixo reciclável demora para se desmanchar na natureza’’, conta o estudante Gilvane Rodrigues Caldas, de 14 anos.

mockup