Curitiba A sepse, mais conhecida como infecçção generalizada, é a principal causa de morte em todo mundo. São cerca de 400 mil novos casos anualmente só no Brasil, sendo que entre 200 mil a 250 mil vão a óbito. A situação é ainda mais grave nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) gerais do País. Um projeto-piloto implantado em março, em quatro hospitais universitários do Estado, conseguiu reduzir de 70% para 50% o índice de mortalidade na UTI, mesmo percentual da rede privada.
O Programa de Otimização do Tratamento da Síndrome Séptica (Potts) foi implantado pela Secretaria de Estado da Saúde, em parceria com a Associação Brasileira de Medicina Intensiva (Amib) e Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (HC/UFPR). Desde março, o programa atendeu 170 pacientes.
O presidente do Fundo Amib para a Educação, Cid Marcos David, que participou ontem de manhã da apresentação do programa na reunião semanal do secretariado do governo estadual, ressaltou que a sepse não é uma doença nova. O fato de causar a disfunção de órgãos vitais também fez com que fosse associada pela causa de morte chamada de ''falência múltipla dos órgãos''.
Segundo o diretor da Central de Medicamentos da secretaria, Luiz Fernando Ribas, o grande mérito do programa é ''organizar a atenção ao paciente''. Nesse sentido, o governo investiu R$ 4,5 milhão principalmente na aquisição de medicamentos, além de realizar treinamento dos médicos para identificação da sepse grave ou choque séptico, como também é conhecida.
O Potts, explica o chefe da UTI do HC, Álvaro Réa Neto, tem duas ações básicas: a identificação o mais rápido possível do paciente com sepse e, em seguida, a aplicação de um pacote de intervenções terapêuticas. ''O principal é gerenciar melhor os recursos existentes no hospital'', disse.
Os quatro hospitais atendidos pelo programa são o HC e Hospital do Trabalhador, em Curitiba; Hospital Universitário de Londrina e Hospital Regional de Cascavel. A intenção, segundo Ribas, é ampliar o programa para todos os hospitais públicos do Estado, cerca de 20 unidades. Nesse sentido, a secretaria já encaminhou um projeto ao Ministério da Saúde, requisitando recursos federais.
O presidente do Fundo Amib ressaltou que um dos problemas é a não identificação da doença em tempo hábil para tratamento. De acordo com ele, a doença não escolhe classes sociais nem é adquirida apenas nos hospitais. ''Quando uma pessoa pega uma infecção, dependendo do vulto e da situação de saúde dessa pessoa, ela pode desenvolver para a sepse'', explicou. O exemplo mais citado foi o caso do ex-governador do Mato Gosso, Dante de Oliveira, que morreu na semana passada com infecção generalizada.
A diarista Adriana Figueiredo de Oliveira, 28 anos, conhece bem essa situação. Em fevereiro do ano passado, seu marido Jefferson Luiz de Oliveira, permaneceu 22 dias na UTI Do HC em coma, vítima de sepse. Oliveira foi internado com pneumonia, mas por ter sido usuário de drogas e alcoólatra, estava com a imunidade baixa. O resultado foi uma infecção generalizada. As disfunções metabólicas, segundo ela, causaram inchaço por todo corpo. ''Quando ele teve alta, todas as enfermeiras diziam que não acreditavam no que estavam vendo. Ele saiu andando e ninguém achava que ele fosse sair vivo dali'', conta.

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