Em uma visita pelo Parque Municipal Arthur Thomas, na zona sul de Londrina, o extensionista do Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural), Ricardo Augusto da Silva, vislumbrou um futuro possível. “É um local com várias nascentes. Quem sabe um dia essa água poderá ser captada para ser utilizada por toda a cidade? Porque a ideia é que a partir desse trabalho não só a população rural seja beneficiada, mas o meio urbano também.”

Imagem ilustrativa da imagem Programa quer mapear e proteger nascentes de Londrina e região
| Foto: Gustavo Carneiro - Grupo Folha

O trabalho citado pelo técnico faz parte do programa Água Limpa, que consiste na conservação e proteção das nascentes por todo o Paraná, principalmente em propriedades rurais. Este projeto do Instituto Emater ganhou corpo há cerca de cinco anos e será ampliado a partir de 2020.

Na região de Londrina, a Emater está articulando com a prefeitura, através da Sema (secretaria municipal do Ambiente), uma parceria para cadastrar a partir do ano que vem todas as propriedades com nascentes, fazer medições e, futuramente, aplicar a técnica de solo-cimento.

A região Macro Norte, que engloba os municípios de Apucarana, Londrina, Ivaiporã, Santo Antônio da Platina e Cornélio Procópio, possui 343 nascentes protegidas pelo Emater, sendo 84 só em Londrina. Até o momento, já estão catalogadas e georreferenciadas aproximadamente duas mil nascentes em todo o Paraná.

ACESSÍVEL AO PÚBLICO

No Parque Arthur Thomas, Silva teve um primeiro encontro com equipes da Sema e apenados do Creslon (Centro de Reintegração Social de Londrina), que participaram de um treinamento para aplicação da técnica solo-cimento, na semana passada.

A metodologia, de baixo custo, visa a proteção do ponto de captação de água para evitar a contaminação do ambiente por resíduos sólidos e biológicos. Para isso, são utilizadas pedras rachão visando a filtração física da água e tubulação. Em seguida, a nascente é lacrada com uma mistura de solo com cimento. Com essa medida, a água é mantida pura e adequada para o consumo.

"A expectativa é estender a técnica por toda a cidade, especialmente em fundos de vale”, diz o secretário da Sema, José Roberto Francisco Behrend. A estimativa é de que existem 1.416 pontos de nascentes no município. "A proteção das nascentes era feita somente com plantio. Essa ação vai se somar ao nosso trabalho, ou seja, teremos um incremento no cuidado”.

Os quatro olhos d’água (nascentes) identificados no Arthur Thomas estão na região do córrego Bem-te-vi, que deságua no ribeirão Cambezinho e corre pelo ribeirão Três Bocas até o rio Tibagi. Eles passarão a integrar o cadastro oficial de nascentes protegidas do Emater.

A Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) é parceira no programa ao realizar os testes de potabilidade, de acordo com os parâmetros do Ministério da Saúde. “Depois de aplicada a técnica de proteção, esperamos cerca de um mês para fazer a coleta e verificar se a água já pode ser consumida”, diz Silva. A ideia da Sema é justamente tornar essa água (das nascentes) acessível para o público que frequenta o Parque Arthur Thomas.

META DE DEZ MIL LEVANTAMENTOS

Para 2020, a expectativa é que o programa Água Limpa, da Emater, entre para os programas da Seab (Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado), sendo ampliado para todos os municípios paranaenses. De acordo com Benno Doetzer, coordenador estadual da área de sustentabilidade ambiental do Emater, a meta é chegar a dez mil levantamentos.

Ele considera que do Sudoeste até o Norte do Estado o trabalho deverá ser bastante concentrado dada às condições favoráveis do solo para o surgimento das nascentes, além do maior número de famílias morando nessas regiões que, por consequência, utilizam essas nascentes como fontes de abastecimento de água. “O projeto foi formatado e está sendo feito um termo de cooperação técnica para formalizar diversas instituições parceiras e prefeituras municipais. Além de mapear as nascentes também serão atualizadas as informações de vazão, número de beneficiados, análise da água, entre outros”, comenta.

A proposta de extensão rural em termos de proteção de fontes do Emater remete à década de 1980, mas no decorrer dos anos surgiram iniciativas regionais do programa, amparadas por parcerias com órgãos públicos e privados. O programa Água Limpa teve início em setembro de 2014, em propriedades rurais do município de Santa Fé (Noroeste).

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