Programa quer erradicar o sarampo até o ano 2000
Maigue Gueths
De Curitiba
Realizar campanhas de vacinação e atuar fortemente na vigilância sanitária. Isto significa notificar cada caso suspeito, fazer exames laboratoriais, aplicar a chamada vacinação de bloqueio, ou seja, imunizar todos que tiveram contato com o suspeito de ter a doença. Com medidas simples como estas é que os representantes dos órgãos de saúde reunidos ontem e hoje, em Curitiba, pretendem erradicar o sarampo não apenas no Paraná, mas em todo o Brasil e na América Latina até o final do ano 2000.
Para a gerente técnica do Plano de Erradicação do Sarampo do Ministério da Saúde, Elizabeth David dos Santos, a meta é acabar com o sarampo e conseguir a Certificação de Erradicação da Transmissão do Sarampo, concedida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a exemplo dos certificados de erradicação da poliomielite e varíola que o Brasil já possui. É uma meta ousada, um desafio, mas é possível. Basta vacinar e vigiar bem, diz.
Este ano, o Brasil registrou 505 casos de sarampo, e em 1998 foram 2,9 mil casos, número alto principalmente em função da epidemia registrada no Paraná e alguns surtos, como o ocorrido em Pernambuco. A situação é mais preocupante, segundo Elizabeth, no norte e nordeste, que, com exceção do Ceará e Rio Grande do Norte, têm estrutura de vigilância epidemiológica precária.
Para melhorar essa situação, o Ministério da Saúde criou o programa Força Tarefa, que consiste na contratação de 27 técnicos de nível superior que estão à frente das ações para erradicação do sarampo nos estados. Todo trabalho é feito em conjunto com a Organização Panamericana de Saúde (Opas), que recebe recursos do ministério e controla o programa. Para esse trabalho o governo federal destinou R$ 4 milhões este ano.
O encontro em Curitiba reuniu cerca de 900 pessoas, entre secretários municipais da Saúde, técnicos e diretores das 22 regionais de Saúde do Estado, além de representantes de estados vizinhos, que ouviram estratégias de erradicação da doença no Paraná, Brasil e nas Américas. Segundo o coordenador do programa ampliado de imunizações da Opas no Brasil, Bernardus Ganter, a Bolívia, com 886 casos este ano, é o país mais preocupante. Em segundo lugar vem o Brasil, com 505 casos.
Em todo mundo houve 2 mil óbitos por sarampo no ano passado. No Brasil, aconteceram sete mortes em 1996, 61 em 1997 quando houve uma epidemia em São Paulo, e uma morte em 1998 e outra em este ano.





