Os ''gatos'' ligações residenciais irregulares de energia elétrica estão com os dias contados no Jardim Monte Cristo (Zona Leste de Londrina), bairro com maior registro de furto de energia no município. Ontem, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) deu início às obras de instalação das entradas de serviço que vão beneficiar cerca de 520 famílias. O bairro surgiu de uma invasão e a regularização das ligações só ocorreu depois que a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) concluiu a negociação judicial com o proprietário da área.
O sorveteiro Carmélio Ribeiro, 60 anos, chegou no bairro há sete anos e foi um dos primeiros ontem a ter instalado o relógio no quintal da casa onde mora com mais cinco pessoas. Assim como as demais famílias, ele terá que pagar R$ 270,00 pela instalação, facilitado em 24 vezes sem juros. Além disso, terá que arcar com a conta de energia elétrica. Como tem o benefício do Bolsa-Escola poderá ser enquadrado na tarifa social ou no Programa Luz Fraterna do governo estadual, se consumir menos de 100 kw/mês. ''A gente estava precisando muito. Agora, só dar um jeitinho para levar tudo em dia.''
Desempregado, o auxiliar de serviços gerais Autiester Marques da Silva, 31 anos, ainda precisa do ''gato'' para ter energia elétrica em casa mas dentro em breve terá sua situação legalizada. ''Já até fizeram o buraco para o poste'', apontou. Como a família recebe R$ 100,00 do Bolsa Escola, também poderá conseguir a isenção do pagamento pelo consumo da energia. Ele mora com a mulher e quatro filhos em uma casa de dois cômodos e o que mais quer é conseguir um emprego para poder construir um quarto para os filhos.
O presidente da Associação de Moradores, Walter Martins, garantiu que todas as famílias foram orientadas e, por isso, acredita que as ligações irregulares vão acabar. ''Todos querem pagar pela luz e a Copel fez um valor que dá para todo mundo pagar'', comentou. Ele observou que a tentativa anterior de acertar a vida dos moradores através de relógios comunitários compartilhados por grupos de famílias não foi bem sucedida. ''Não deu certo. Num grupo de 10 famílias, quatro ou cinco pagavam e o resto não.''
O gerente de serviços da Copel, Demilson Schefer, destacou que o Monte Cristo é o bairro com maior volume de ligações irregulares. O investimento é de quase R$ 200 mil e o trabalho deve demorar cerca de quatro semanas. A meta em Londrina é regularizar a situação de cerca de 700 famílias, com obras nos jardins Marieta (Zona Norte) e União da Vitória (Zona Sul). ''O problema maior é a questão da segurança, pois as ligações são precárias e os choques são muito comuns.'' Em 2001, a empresa ameaçou cortar o fornecimento alegando falta de segurança e prejuízo de mais de R$ 50 mil mensais. Mas a medida não foi colocada em prática.
Além da energia elétrica legal, os moradores do Monte Cristo também serão beneficiados com rede de água e esgoto e o moledamento das ruas. Segundo o diretor técnico da Cohab, Rosalmir Moreira, apenas com essa infra-estrutura o investimento chega a R$ 960 mil.

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