Os baixos salários, a perda da autoridade, as angústias e incertezas que atingem os policiais militares (PMs) aposentados foram tema de pesquisa de duas alunas do curso de psicologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Elas analisaram o comportamento de 22 policiais que estão prestes a se aposentar e elaboraram um diagnóstico. O trabalho resultou em um programa de preparação para a aposentadoria, que está sendo ministrado durante esta semana na agência central do Serviço Social do Comércio (Sesc).

A professora do Departamento de Psicologia Organizacional e do Trabalho da UEL, Aurora Fernandes Gonçalves, que orienta as alunas Josy de Souza e Gláucia de Souza, explica que os policiais foram escolhidos por serem uma categoria que atua em situação de risco e tensão. A atividade policial, afirma, é vivida dentro e fora do quartel, durante 24 horas. Quando eles cessam as atividades o impacto, segundo a professora, é violento e pode causar uma crise relacionada à perda do poder. ''Sem a farda, sem o revólver, o que eles farão?'', questiona.

Profissionais de diversas áreas geriatra, nutricionista, agrônomo, advogado, economista, fisiculturista e psicólogo estão ministrando palestras e orientando os policiais.

O cabo Moacir de Paula Marinho, 47 anos, casado, com filhos e netos, vai se aposentar dentro de um ano e diz que o salário que recebe o leva a encarar a aposentadoria com pessimismo. Há 28 anos na corporação, o cabo ressalta a atenção que os policiais estão recebendo das estudantes. Aposentado há seis meses, o ex-policial José Carlos Accorsi, 48 anos, aproveita o tempo livre fazendo bicos. ''Vendo confecções para reforçar o salário.'' Depois de ter trabalhado 27 anos na PM, Accorsi recebe R$ 700,00 por mês.

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