Programa muda vida de alunos com duas ou mais reprovações
A história é quase sempre a mesma. Todo estudante que repete duas ou mais séries acaba frequentando uma classe com alunos bem mais novos, ouve risos e cochichos abafados que o classificam como repetente, tem pouco interesse no que é ensinado e dificilmente consegue se relacionar com os outros colegas. A reação mais comum é inventar desculpas para faltar às aulas, correndo o risco de repetir novamente. E daí, voltar à escola fica mais difícil.
Essa era a situação que enfrentavam 200 mil alunos do Ensino Fundamental (antigo primeiro grau) antes do Projeto Correção de Fluxo. Estou neste programa porque não tive oportunidade de estudar por falta de transporte, diz Júnior Ribeiro, da classe de correção do Colégio Estadual Rio Branco, de Santo Antônio da Platina. Enfim estou com pessoas da minha idade, comemora Brisa Anciutti Leandro, aluna da classe de correção de fluxo do Instituto de Educação de Maringá.
Nas salas de aula do Projeto Correção de Fluxo, não existe vergonha, desconforto, nem dificuldade de socialização. Em todas as disciplinas, os professores procuram aproximar o tema estudado da realidade e do interesse dos alunos.
O resultado, lembra a professora Elizabeth Nascimento Lopes, do Colégio Estadual Faria Sobrinho, de Paranaguá, não podia ser melhor. A matemática, que era considerada bicho-papão por muitos passou a ser significativa e atraente, uma vez que está relacionada com o cotidiano do aluno. Eu pude presenciar um aluno dizer: Ôba! Hoje tem matemática!, conta Elizabeth.





