Programa local será mostrado na ONU
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quinta-feira, 03 de abril de 1997
Célia Baroni 
Warren NabucoDe mudançaA Central de Moagem da AMA: unidade deve ser transferida para dar lugar a espaço cultural O Programa de Reciclagem de Entulhos da Construção Civil, criado no segundo semestre de 93, durante a administração de Luiz Eduardo Cheida (PT), está entre as 100 melhores experiências brasileiras na área de desenvolvimento sustentável. O programa e seus resultados serão apresentados na Organização das Nações Unidas (ONU) em junho. O levantamento e a avaliação foram realizados pelo Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a Universidade Livre do Meio Ambiente, de Curitiba. E a divulgação dessas experiências será feita via Internet e CD-ROM.
O trabalho tem como principal objetivo comprovar resultados concretos da Agenda 21, principal documento da Rio 92 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano). Nesta conferência os países se comprometeram a dar alternativas que possibilitassem o desenvolvimento sem destruir o meio ambiente e promovendo maior justiça social, esclarece o coordenador de projetos da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Marcelo Rubens Machado. Ao todo, 170 países assinaram o documento, estabelecendo como meta atingir o desenvolvimento sustentável até o século 21.
Iniciativa pioneira, o programa implantado em Londrina consegue, hoje, captar cerca de 70% do entulho produzido na cidade. Antes da criação da Central de Moagem, todo entulho era jogado em fundos de vale da Cidade, resultando em danos à natureza e criando problemas sociais. Um estudo realizado em 93 estimou a produção de entulho na Cidade em 400 toneladas por dia. Hoje a construção civil está menos ativa, mas mesmo assim a produção diária de entulho supera a casa das 200 toneladas, diz Machado.
As empresas e particulares que constróem são obrigados, por lei, a recolher e levar o entulho resultante da obra para a Central de Moagem, no conjunto Cafezal (zona sul). Depois de selecionado e triturado, pelo menos metade do material é totalmente reciclada. Transforma-se em blocos para construção; bloquetes para calçamento; pedrisco para calçamento de praças e brita (usada para asfalto e moledamento).
Os blocos produzidos pelo programa já foram utilizados em projeto de moradia popular, beneficiando famílias que antes moravam em favelas. O material também foi aproveitado na construção da subsede e das sedes regionais da AMA. O material será ainda aproveitado para construir salas na Universidade Estadual de Londrina.
A Central de Moagem tem capacidade para processar, diariamente, 100 toneladas de entulho. É material suficiente para 100 metros quadrados de construção por dia. O que não pode ser moído é utilizado para revitalizar praças e bosques e recompor paisagens (como por exemplo morros destruídos pela mineração). O custo de manutenção da Central de Moagem é de cerca de R$ 15 mil por mês. O valor, segundo o coordenador de projetos da AMA, equivale a menos de 10% do que o município gastaria para limpar os terrenos onde o entulho era jogado antes.


