Paulo Pegoraro
As famílias rurais de Cascavel passam a contar com um serviço pouco comum na área da saúde. Desde ontem, o programa ‘‘Médico do Campo’’, apresentado como primeira experiência no Estado para levar ações de saúde diretamente ao campo, está atendendo moradores que têm dificuldades de acesso às unidades de saúde e levando orientações sobre prevenção de doenças. Uma equipe formada por médico, enfermeira e auxiliar fará visitas diárias às localidades rurais, com ambulância e equipamentos sofisticados, inclusive para coleta de material para exames laboratoriais. Após avaliação dos resultados iniciais, a estrutura deverá ser ampliada.
O ‘‘Médico do Campo’’ segue os moldes do ‘‘Médico do Bairro’’, iniciado no ano passado e que atende principalmente idosos. O ministro da Agricultura Francisco Turra, em recente visita a Cascavel, foi informado do programa e classificou-o como exemplo a ser seguido por todos os municípios. A primeira equipe começou a trabalhar ontem, após solenidade na Escola de Treinamento Agropecuário (Agropec), onde famílias de pequenos agricultores são qualificadas para o trabalho e geração de renda alternativa e também recebem atendimento médico.
O prefeito Salazar Barreiros (PPB) entregou simbolicamente a chave da ambulância à agricultora Iracema Duffech, 39 anos, dois filhos, de Cachoeira Alta, distante 12 quilômetros de um posto de saúde. ‘‘Lá quem tem carro fica mais garantido e quem não tem pede carona ao vizinho ou é obrigado a ir a pé até o posto, mesmo estando doente’’, disse Iracema. Após a solenidade, a equipe do ‘‘Médico do Campo’’ fez o primeiro atendimento a Ana Stocher, 83 anos, na localidade de Centralito.
O programa oferece inclusive consulta domiciliar com hora marcada a partir de sua base, na Agropec. O secretário de Saúde Lísias Tomé informou que, além do atendimento a doentes, a proposta é de ‘‘um trabalho educativo’’ orientando os moradores rurais para cuidados preventivos, além de imunizações. Lísias mencionou o tétano como uma das doenças infeciosas de maior risco. ‘‘Pois de cada dez casos só um se salva e, apesar disso, raras são as pessoas vacinadas’’. O secretário lembrou que, no campo, é muito comum acidentes com ferramentas ‘‘ou um corte na cerca de arame farpado’’, formas pelas quais o bacilo que resulta na doença penetra no organismo.
O programa ‘‘Médico do Bairro’’, e também o ‘‘Ninar’’, desenvolvido pela prefeitura, podem ser disseminados em outras regiões, segundo o secretário estadual de Saúde Armando Raggio. O primeiro segue os moldes da experiência de Cuba e do Canadá e, de julho de 98 até agora, atendeu 1,3 mil pessoas. O ‘‘Ninar’’ orienta mães durante os primeiros cinco meses de vida de seus bebês.Moradores da zona rural com dificuldade de acesso às unidades de saúde passam a ser visitados por profissionais da área médica
Edson MazzettoA primeiraEquipe do programa ‘‘Médico do Campo’’, iniciado ontem em Cascavel, examina a agricultora Ana Tereza Stocher, 83 anos

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