Programa já atende vítimas de abuso
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segunda-feira, 18 de março de 2002
Telma Elorza<br>Reportagem Local 
Em menos de 30 dias de funcionamento, o Programa Sentinela lançado oficialmente, ontem, em Londrina já atendeu 31 casos de crianças vítimas de violência, abuso e exploração sexual. Segundo o coordenador do programa, Luís Cláudio Galhardi, dos casos registrados até agora, 82% ocorrem dentro das casas das crianças e 71% foram praticados por alguém da família ou amigo íntimo.
O objetivo do programa uma parceria entre a Secretaria de Estado do Ministério da Previdência e Assistência Social, Prefeitura de Londrina e Núcleo Espírita Irmã Scheilla é, segundo Galhardi, tentar reverter essa situação. Não há registros confiáveis sobre a questão porque as pessoas evitam fazer a denúncia. Nosso trabalho, além de dar atendimento especializado à criança molestada, é também estimular que as pessoas denunciem os casos. Só com a denúncia é que podemos agir, afirmou.
Os dados computados pelo programa até o momento são preocupantes. Segundo Galhardi, 94% das crianças vítimas de abuso são meninas e 65% delas têm idades entre 0 e 11 anos. A faixa mais atingida é do 0 a 8 anos, com 41% dos casos; a faixa de 8 a 11 anos representa 24%; e de 12 a 18 anos, 35% dos casos, explicou. Em quase a totalidade dos casos, segundo ele, os agressores são homens, sendo que 64% na faixa dos 18 aos 30 anos.
A equipe, formada por psicológos, assistentes sociais e educadores, trabalha dando atendimento psicossocial e criando condições para que a criança e o adolescente regastem seus direitos. O programa também garante o acesso aos serviços de assistência social, saúde, educação, justiça e segurança.
De acordo com a secretária municipal de Ação Social, Maria Luiza Rizotti, o governo Federal estará repassando R$ 6 mil ao mês, enquanto a prefeitura dá a contrapartida de R$ 3 mil mais a infra-estrutura. O Núcleo Irmã Scheilla contratou os funcionários. Infelizmente, este é um programa que a gente gostaria de não precisar. Mas a realidade é outra, disse.
Segundo Maria Luiza, o programa pode mudar uma realidade. Muitas vezes, a pessoa sabe sobre casos do tipo mas não sabia onde procurar ajudar. Agora já tem um órgão especializado para isso, afirmou. Ela disse ainda que o programa vai trabalhar também na orientação e preparo de profissionais que atuam junto à crianças para que eles possam reconhecer casos de abuso. Treinando professores e educadores para reconhecer esses casos, podemos agir mais eficazmente, afirmou.
Serviço - O programa atende no Pronto Atendimento Infantil (PAI) e disponibilizou os telefones 1407 (ligação gratuita), 336-2003 e 321-6748 (Conselho Tutelar) para denúncias.


