Programa integra homem e meio ambiente
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoHarmoniaCoordenadores do programa no Parque Ecológico, com lago ao fundo; programa
incentiva convivência com recursos naturaisCinco municípios do Oeste paranaense que fazem parte da bacia do Rio Andrada estão integrados ao programa Recuperação e Uso Sustentável de Bacias Hidrográficas junto a Comunidades Rurais de Baixa Renda. Trata-se de uma extensão do Programa Nacional do Meio Ambiente, desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal em 19 Estados brasileiros.
Os recursos federais de R$ 61 milhões destinados ao setor foram injetados em 90 Projetos de Execução Descentralizada (PED), incluindo o do Oeste paranaense. Os projetos são também desenvolvidos no Paraná nas regiões de Bituruna, Campo Mourão, Guaratuba, São José dos Pinhais e São José do Patrocínio.
O engenheiro civil Hugo de Almeida, coordenador nacional do PED, observa que a a proposta central é permitir às comunidades a convivência harmoniosa com os recursos que as cercam, usufruindo deles sem agredí-los. Almeida, que comanda equipe que está inspecionando os projetos paranaenses, explica: Isto significa, por exemplo, manter áreas florestais sob preservação mas poder extrair frutos e mel, ou fazer proliferar a fauna silvestre e usufruir da carne.
Almeida está executando as inspeções em companhia da bióloga Daniela de Oliveira, coordenadora no Sul do País do programa; do administrador de empresas Homero Volner e do engenheiro florestal Valmir Detzel, ambos coordenadores no Paraná. No projeto envolvendo o Rio Andrada, eles verificaram obras em Cascavel, no Parque Ecológico - onde estão sendo implantados alojamento para técnicos, centro de visitação e banco de germoplasma - que reproduzirá vegetais apropriados para a a região -, além do laboratório de fauna.
O laboratório terá 100 matrizes de capivaras, animal escolhido para repovoamento de áreas ao longo do rio. Segundo Valmir Detzel, em Santa Tereza do Oeste, onde estão as nascentes do curso dágua, será implantado um viveiro de mudas e centro de criação de fauna. Em Lindoeste será construído um centro de desenvolvimento rural para treinamento de pequenos agricultores. Também integram o projeto os municípios de Santa Lúcia e Boa Vista da Aparecida.
O projeto do rio Andrada dispõe de R$ 748 mil do governo federal e R$ 300 mil do governo estadual. Em todo o Paraná, o volume de recursos é de 5 milhões. Os municípios participam com pessoal e infra-estrutura. Segundo o agrônomo Paulo Valini, secretário de Meio Ambiente de Cascavel, após a conclusão de obras físicas serão iniciadas ações diretamente com as comunidades, inclusive com campanhas de motivação e organização para que assumam etapas da recuperação do ecossistema e dele desfrutem.
A recomposição da fauna e da flora seguirá estudos para definição de espécies que serão reintroduzidas ao longo das margens do rio. Quanto às florestais, a preocupação principal é disseminar espécies sob risco de extinção, como consequência do desmatamento acelerado para introdução da agricultura e pecuária; formação de matas ciliares e extração de frutos. No caso da fauna, já foram adquiridas as 100 capivaras matrizes.
Valini explica que os animais procedentes das matrizes serão criados em cativeiro pelos agricultores, que devolverão o mesmo número de filhotes recebidos. As capivaras se reproduzem facilmente e sua carne, de elevado teor de proteína, servirá para a alimentação das comunidades de baixa renda e também para comercialização. Para isso, devem ser formadas pequenas cooperativas ao longo da região ribeirinha e estimulada a integração com organizações já existentes.


