Programa inédito faz prevenção de cárie em idosos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de outubro de 2000
Maigue Gueths De Curitiba 
Depois de mostrar eficiência na prevenção de cáries em crianças e adultos, o flúor começa a ser utilizado, em Curitiba, também pelos idosos, na prevenção de um tipo de cárie mais comum nessa faixa etária: a cárie da raiz. Desenvolvido no Canadá pela Universidade de Vancouver e inédito no País, o programa está sendo aplicado junto a 14 idosos que vivem em um asilo particular da cidade, o Gaia Instituto de Idosos, em parceria com a Associação Brasileira de Odontologia - seção Paraná (ABO/PR) e Secretaria de Estado de Saúde.
Segundo a coordenadora do Grupo de Estudos da Saúde Bucal do Idoso da ABO/PR Fanny Jitomirski, a realidade bucal do idoso é bastante diferente de anos atrás, quando a maioria usava dentaduras. Hoje os dentistas evitam ao máximo a extração, sendo cada vez mais comum os idosos terem dentição, mesmo que parcial, o que exige o uso de próteses diversas, como as pontes móveis. A estimativa é que até 2020 o índice de desdentados na faixa de 45 a 64 anos reduza dos atuais 39% para 9%, e na faixa acima de 65 anos reduza de 71% para 37%.
Em compensação, os idosos têm, cada vez mais, cárie de raiz. Calcula-se que 68% das pessoas entre 60 e 69 anos tenham este problema e que 99% dos idosos apresentem pelo menos uma superfície da raiz do dente exposta, com possibilidade de evoluir para cárie. Nas pessoas entre 50 e 59 anos aparecem em média cinco raízes com cárie. Esse é um problema sério, diz Fanny, lembrando que além da grande incidência, esse tipo de cárie em geral é bastante dolorida.
O envolvimento das três entidades aconteceu por acaso, quando a coordenadora do Gaia, a psicóloga Nora DAquino, começou a trabalhar com a saúde bucal dos idosos da casa, fazendo o que ela chama de Mês da Boca. Entre consulta a dentistas, orientações sobre o uso correto da escova de dentes e fio dental e limpeza de próteses, os moradores receberam uma aula, ontem, para fazer bochechos diários de flúor. Segundo a dentista Lais Amarante, coordenadora do Programa Estadual de Bochecho com flúor em escolares, o flúor controla a perda de minerais do dente, dificultando o aparecimento da cárie de raiz.
Caso a experiência seja bem-sucedida, a Secretaria Estadual da Criança e Assuntos de Família estuda a possibilidade de implantá-lo em todos os asilos e Centros de Convivência do Estado.


