Curitiba O operador de produção José Verli Braga, 46 anos, estava há 15 anos sem estudar. Quando deixou a escola, na década de 80, tinha concluído apenas o ensino fundamental, antigo 1º grau, e não tinha condições de retomar o estudo por causa do trabalho. Há dois anos, Braga ingressou no programa '''ALL nos Trilhos da Educação'', projeto da empresa ALL-Delara que estimula os funcionários que não terminaram o ensino médio a concluírem os estudos dentro da própria empresa. Participando do programa, Braga terminou o ensino médio, com diploma reconhecido nacionalmente. Ele se forma hoje, com direito à beca e festa com mais 81 alunos, todos funcionários da empresa.
Vencedor do maior prêmio de recursos humanos na categoria empresarial do País o ''Ser Humano'' promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), o programa está formando a sua primeira turma. A meta da empresa é formar, até 2004, 80% do quadro dos funcionários, atualmente composto por 3,1 mil pessoas. ''Quando iniciamos o programa, em 2001, 45% do quadro de funcionários não tinham concluído o ensino médio'', conta a coordenadora de Desenvolvimento de Gente, Márcia Cristine Ribeirete.
Ela explica que o projeto da empresa a longo prazo é erradicar os casos de funcionários que não terminaram o ensino médio ou fundamental. ''Os funcionários precisam acompanhar as mudanças da empresa e estar aptos a compreeenderem as novas tecnologias, tanto na área de gestão quanto tecnológica'', salienta. Os funcionários não têm custo nenhum para participar do programa e podem estudar em casa, de acordo com a realidade e necessidade de cada um. Atualmente, a empresa oferece 200 vagas por ano e já tem uma lista de espera de cerca de 50 pessoas para ingressarem no programa.
Quem conquista a vaga, recebe material didático elaborado pelo Centro Educacional de Niterói (CEN), através da Fundação Brasileira de Ensino. Os alunos têm à disposição 11 núcleos de ensino, espalhados por toda a malha ferroviária coberta pela companhia (Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo). ''Isso permite que até os funcionário que viajam bastante, como os maquinistas, possam ingressar no programa. Nas cidades que não contam com núcleo de ensino, a empresa tem parceira com escolas particulares e com o Sesi de cada região.
Para manter o programa, a ALL-Delara investe R$ 1,2 mil por ano em cada estudante. Até o final do ano, a empresa terá investido R$ 800 mil em todo o programa, desde seu início, há dois anos, incluindo material didático e pagamento e salário dos professores e estagiários que trabalham nos núcleos.

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