Para quem não se importa com conforto, qualquer local um pouco mais reservado serve para passar a noite. Se for uma edificação abandonada, então, é possível até estabelecer moradia. De acordo com Sandra Coelho, o que favorece a criação de mocós é o abandono por parte dos proprietários. Segundo ela, em 2008 o programa Sinal Verde já identificou 33 imóveis nessas condições. Desses, 24 foram desativados.
Quando um local desses é identificado, a Secretaria de Obras notifica os proprietários para que tomem as providêncis necessárias de cuidado, segurança e conservação, para evitar que o lugar seja invadido novamente. ''O problema é que muitas vezes esses proprietários são de difícil localização'', revela Sandra.
Mas, independentemente das causas para o surgimento de novos mocós, o fato de sua existência muitas vezes estar associada a drogas, criminalidade e violência cria uma justificável sensação de insegurança entre os moradores da vizinhança. ''Além de feio, um lugar assim é arriscado. Minha esposa conta que à noite eles começam a vir, ficam aí dentro. Eu não vejo porque nem saio de casa à noite'', comenta Kenji Takeda, referindo-se ao mocó da rua Bahia.
Na travessa Açungui, na Vila Nova, o proprietário de uma outra edificação até tentou evitar que o local se transformasse em um mocó, colocando um educado aviso no portão de entrada dizendo tratar-se de propriedade particular, mas não teve muito sucesso. ''Já derrubaram o telhado da casa por causa disso, mas eles continuam vindo durante a noite. Deveriam ter derrubado também as paredes'', sugere uma moradora. (A.I.)

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