A população de muitos municípios do interior do Paraná não precisa mais se deslocar até as grandes cidades para apreciar shows e espetáculos teatrais. Graças a investimentos de mais de R$ 3,2 milhões realizados pela Secretaria do Desenvolvimento Urbano, novos espaços culturais estão surgindo em todas as regiões do Estado. Além de financiar a construção, a secretaria também libera recursos para reformar, ampliar ou equipar os teatros, centros de cultura ou auditórios já existentes. Só em equipamentos, os investimentos ultrapassam R$ 1,5 milhão.
A nova realidade pode ser conferida, por exemplo, em Toledo, município de 92 mil habitantes, no Oeste do Estado. A cidade conta hoje com o segundo maior teatro do Paraná, menor apenas que o Teatro Guaíra, de Curitiba. Inaugurado no final do ano passado, o local é motivo de orgulho para os moradores.
‘‘Houve realmente uma grande mudança na cidade’’, conta a secretária de Cultura de Toledo, Geni Fabris. ‘‘Sempre tivemos muitos grupos de teatro e dança, além de diversos corais, mas não contávamos com um espaço adequado para as apresentações’’. Agora, acrescenta, a situação é bem diferente. ‘‘Já somos pólo cultural da região.’’
O Teatro de Toledo está sempre com a agenda de apresentações cheia. Só na programação de inauguração, 20 mil pessoas da região lotaram todas as noites o novo espaço cultural, com 1.021 lugares. Na platéia, há até poltronas especiais para quem está bem acima do peso.
Além do público de cidades vizinhas, o Teatro de Toledo recebe também grupos artísticos de localidades próximas. A agenda é concorrida e existem poucas vagas para apresentações este ano. Entre as atrações para 2000 estiveram um recital em homenagem aos 500 anos do descobrimento do Brasil, e constam a Mostra Regional de Dança e o Festival de Inverno de Teatro e da Canção.
Outra cidade orgulhosa com seu teatro é Maringá. Concluído há dois anos, o Teatro Kalil Haddad é o maior da Região Noroeste. A prefeitura usou recursos do Fundo de Desenvolvimento Urbano (FDU) para investir R$ 650 mil em equipamentos de som, iluminação, cenografia e poltronas.
Nos Campos Gerais, os novos espaços culturais também estão fazendo a alegria das cidades. Castro, por exemplo, ganhou um Centro Cultural, com uma biblioteca, salas de exposições e um auditório que se transforma em espaço para shows e apresentações teatrais.
A Prefeitura de Tibagi, na mesma região, também construiu seu Centro Cultural com o apoio do Estado. Dotado de um anfiteatro com 204 poltronas, o espaço inaugurado em 1997 tem múltiplo uso.
Os exemplos dos investimentos feitos na área cultural pelo Programa Paraná Urbano e pelo FDU também podem ser vistos em pequenos municípios como São Jorge d’Oeste, Itapejara d’Oeste e Marmeleiro, no Sudoeste do Estado. As três cidades estão ganhando espaços culturais que não poderiam ser construídos sem o apoio financeiro do governo estadual. O mesmo ocorre em São Pedro do Ivaí, Candói, Sertaneja e Mamborê, em outras regiões.
Em alguns casos, os novos espaços servem também para atrair mais turistas e negócios. É o que ocorre em São Jorge d’Oeste, onde os 9 mil habitantes ganharam um Centro de Convenções com auditório para 500 pessoas, 12 salas de reunião e quatro salas de exposições.
‘‘É o maior investimento turístico-cultural da região e, com ele, o município entra na rota dos grandes eventos’’, conta satisfeito o prefeito de São Jorge d’Oeste, Luís Raimundo Corti.
Além da construção de novos espaços culturais, uma alternativa simples e criativa está ajudando a levar mais espetáculos para o interior do Paraná. É o Comboio Cultural, projeto que transforma ônibus em palcos e que vai até as comunidades mais distantes. O projeto já percorreu todos os 399 municípios paranaenses.
Participam da turnê grupos musicais, teatrais, de bonecos e até de ópera. Crianças de escolas públicas e adultos que nunca tiveram oportunidade de assistir a estes espetáculos, considerados de elite, agora podem acompanhar peças e shows. Inspirado na tradição mambembe, o comboio foi lançado em novembro de 99 e seus espetáculos já foram vistos por mais de 250 mil espectadores.
O projeto é coordenado pela Secretaria Estadual da Cultura, através do Teatro Guaíra. Os recursos para a compra e adaptação dos ônibus são da Secretaria do Desenvolvimento Urbano. O comboio, que tem ainda o apoio da Copel, conta com sete ônibus itinerantes. O projeto está servindo de modelo para outros Estados.

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