Um trabalho de assistência técnica do Incra, em assentamento de famílias de pequenos produtores, foi lançado em Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho). O Projeto Lumiar, do governo federal, surgiu em 96. Já existem no País cerca de 60 mil famílias assentadas, que recebem apoio das equipes técnicas. Ibaiti é o primeiro município do Estado a ter o Lumiar implantado.
Segundo a coordenadora do curso de capacitação dos técnicos e representante do Incra em Curitiba, Maria Alice Alves, mais de 250 famílias assentadas entre os municípios de Ibaiti e Japira (95 km ao sul de Jacarezinho) vão receber apoio. ‘‘Estamos formando 40 técnicos que vão acompanhar a estrutura dos três assentamentos locais - Vale-Verde (Fazenda Santa Laura), Marimbondo (Fazenda Reinaldo) e Modelo (Fazenda Planalto). Nossa segunda etapa é levar o projeto para outras cidades do Estado’’, disse.
A coordenadora técnica e pedagógica do projeto, Ligia Luna, do Incra de Brasília, disse que a produção das famílias assentadas é de interesse dos municípios, pois trará geração de empregos e será fonte de impostos. ‘‘Não queremos dizer ao agricultor o que ele deve fazer. Queremos dialogar e encontrar as melhores soluções para seu plantio e eventual lucro. O produtor assentado é um trabalhador autônomo que conhece a terra’’, ressaltou.
Outro benefício, segundo as coordenadoras, é a participação do assentado na sociedade. ‘‘O pequeno produtor não quer esmola, ele quer trabalhar, ter condições dignas de participação na vida social e no atendimento de suas necessidades como saúde, educação e moradia’’. O técnico vai orientar o produtor e ajudá-lo na escolha de lavouras ou criações que tenham bons resultados, defendem.
Segundo o prefeito de Ibaiti, Roque Jorge Fadel (PTB), três mil hectares de terras foram invadidos no município. ‘‘As terras invadidas estavam abandonadas e improdutivas e concentradas nas mãos de pouquíssimos donos’’, disse.
Uma das metas do Projeto Lumiar é a diversificação e o incentivo para produtos com maior valor no mercado, além das culturas básicas como o feijão, o milho e a mandioca. ‘‘Eu queria poder ter irrigação para plantar verduras, porque dá muito mais dinheiro do que o milho e o feijão. O problema é que tudo é muito caro e não tenho como pagar meu sonho’’, reclamou João dos Santos, 51 anos, agricultor há 20 anos. Sua mulher, Alda Maria dos Santos, 48 anos, queixou-se que é difícil sobreviver com o que produzem e disse esperar que a ajuda do Incra melhore a situação.
Moisés de Souza Santos, 32 anos, mora há oito anos em um assentamento com a mulher e os três filhos. Em 15 alqueires planta batata e mandioca e cria gado. ‘‘Busco o financiamento para plantar café, criar suínos e plantar uvas em um alqueire e meio. Quero diversificar, mas o problema é o preço. Por enquanto, vou indo com a ajuda de meu filho mais velho, de 11 anos’’, contou.

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