O sonho de ir para outros países, estudar e trabalhar está um pouco mais próximo agora. Com a liberação da entrada de brasileiros nos Estados Unidos para trabalho - o que era proibido até dois anos atrás, as alternativas de intercâmbio aumentaram. Uma delas é o programa Au Pair, que está sendo oferecido pela escola Cultura Inglesa de Londrina.
Segundo o coordenador do departamento de cursos e viagens internacionais da Cultura Inglesa, Marcos Santos, o Au Pair é um programa de intercâmbio que há dez anos destina jovens para cuidar de crianças em outros países. Santos explica que nos países europeus é comum esse tipo de intercâmbio. No Brasil, a idéia é nova. O programa Au Pair está começando a enviar os primeiros brasileiros para o exterior. O principal destino é os Estados Unidos.
Santos explica que o programa é vinculado ao Instituto Americano de Estudo Estrangeiro (AIFS). Essa entidade trabalha há 33 anos com intercâmbios e envia cerca de 4 mil pessoas por ano para os EUA, só pelo Au Pair.
Através do Au Pair, brasileiros podem passar um ano nos Estados Unidos, na Alemanha ou na França. No caso dos EUA, o intercâmbio é exclusivo para mulheres. ‘‘O intercâmbio é uma forma de amenizar o problema de mão-de-obra desses países e ao mesmo tempo oferece uma oportunidade acessível e segura de estudar no exterior’’, explica o coordenador da Cultura Inglesa.
As normas para trabalhar e estudar nos EUA foram detalhadas por Santos. O programa é destinado a mulheres de 18 a 26 anos. A primeira exigência, estabelecida pela Cultura Inglesa, é a experiência comprovada de trabalho com crianças. ‘‘Se a candidata não tiver aptidão para trabalhar como babá, nem adianta se apresentar’’, avisa Santos. Para facilitar às candidatas o preenchimento desse requisito, ele já estabeleceu com a Escola Fundamental de Londrina um convênio. ‘‘As pessoas interessadas podem fazer um curso, que vai torná-los aptos a atender essa exigência.’’
Em seguida, a candidata tem que passar por um teste de avaliação do conhecimento da língua inglesa. A prova a ser aplicada é a Michigan, reconhecida pelas universidades americanas. Segundo Santos, é necessário obter, no mínimo, 60 pontos na prova. ‘‘A exigência é que a candidata tenha nível intermediário de inglês.’’
Além disso, as interessadas em participar do programa devem ter carteira de motorista, 2º grau completo, não ter antecedentes criminais e estar participando pela primeira vez do Au Pair. A inscrição no programa é feita apenas após a comprovação de todos os requisitos.
Segundo Santos, ao passar por esse processo inicial, que prevê também uma entrevista pessoal, a conquista do emprego nos Estados Unidos está praticamente garantida. ‘‘Cerca de 90% das pessoas que passam por essas fases iniciais conseguem integrar o programa’’, garante o coordenador.
Santos explica que o Au Pair é um programa acessível, mas alguns gastos são previstos. Para a inscrição, por exemplo, é necessário um depósito de US$ 300,00. Esse valor não é reembolsável, mesmo se o intercâmbio não der certo. Outras taxas são cobradas, como suplemento de passagem áerea e um depósito de US$ 500 - 80% desse valor é devolvido ao final do intercâmbio. Na ponta do lápis, são US$ 1,3 mil desembolsados pela candidata. Segundo Santos, o valor não é tão alto, se comparado a outros intercâmbios. ‘‘No High School, por exemplo, em que adolescentes vão para outros países fazer o colegial, não se gasta menos de US$ 7,5 mil por dez meses’’, compara.
O acerto final do emprego é feito diretamente com a família americana, através de contatos telefônicos. Mas todo o trâmite da viagem é coordenado pelo AIFS. A participante do programa terá visto especial - o J-1 - de 13 meses junto à Embaixada Americana. ‘‘São 12 meses de trabalho e um mês livre para viagens no país.’’
Segundo Santos, o intercâmbio oferece diversas vantagens. O estudo, segundo ele, é obrigatório. ‘‘A participante tem que fazer algum curso que dure pelo menos 3 horas semanais. Para isso, a família que vai recebê-la dará um auxílio estudo de US$ 500’’, afirma. O trabalho é remunerado (US$ 128 semanais). A participante vai morar na casa da família, com direito às refeições. As folga são concedidas uma vez por semana e um final de semana por mês. Também há duas semanas de férias.
‘‘A participante vai trabalhar 45 horas por semana. O período noturno é destinado aos cursos que vai fazer’’, explica. Segundo Santos, a permanência das brasileiras nos EUA será monitorada por um conselheiro. Qualquer problema é resolvido por ele, até mesmo a mudança de emprego, caso haja problemas graves. A participante terá direito também a um seguro saúde, que cobre 12 meses de permanência. Para os outros países, França e Alemanha, os critérios são parecidos.

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