Jogar pilhas velhas e os remédios vencidos no lixo da cozinha nunca foi visto como um problema para a família da estudante Flávia Rodrigues Nunes, 9 anos, moradora do bairro Cachoeira, em Curitiba. Flávia conta que durante anos o lixo doméstico foi o destino de todos os rejeitos de sua casa e que sem saber colaborou para aumentar a poluição do lugar em que vive.
Sua família vem mudando de hábitos há uma semana, desde que a menina conheceu o Programa Especial para Resíduos Domiciliares, criado pela Prefeitura de Curitiba. O programa, lançado oficialmente ontem pelo prefeito Cassio Taniguchi, informa as crianças da rede municipal de ensino e a população sobre os perigos de contaminação que os produtos químicos representam ao entrar em contato com a água e o solo, e coloca à disposição da comunidade um sistema de coleta nos moldes do programa ‘‘Lixo que não é Lixo’’. ‘‘Queremos que estas crianças se tornem multiplicadores e passem a atuar em favor da preservação do meio ambiente’’, disse Cassio.
Hoje, Flávia faz questão de recolher todo o lixo doméstico capaz de causar algum tipo de dano ao meio ambiente e para isso já conta com a ajuda dos pais. ‘‘Separo o material e levo até a escola, porque se jogar tudo no lixo vai fazer mal para a saúde’’, ensina.
Flávia era uma das dezenas de alunos da rede municipal de ensino que compareceram ontem ao Parque Tingui para o lançamento do programa. O novo projeto pretende formar multiplicadores nas escolas da capital sobre a importância da separação, do lixo comum, de pilhas, baterias, restos de tinta, solventes, embalagens de inseticidas, lâmpadas fluorescentes e medicamentos.
O prefeito Cassio Taniguchi explicou que o programa inicialmente não envolve grandes investimentos, mas sim a criatividade. Um caminhão foi pintado nas cores do programa e vai ficar estacionado um dia por mês, das 7 às 15 horas, em cada um dos 23 terminais de ônibus da cidade para fazer o recolhimento dos materiais. Em seguida, a carga será levada para o Centro de Tratamento de Resíduos Industriais da Cavo, na Cidade Industrial, local onde vai ficar armazenada em condições ideais.
Alguns produtos como baterias e lâmpadas fluorescentes, que já podem ser reciclados, vão ser encaminhados aos fabricantes.

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