Programa em Maringá monitora bebês de risco
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terça-feira, 02 de junho de 2009
Mariana Guerin<br> Equipe da Folha 
Maringá - Há um ano as condições de vida e saúde de bebês de risco e suas mães têm sido objeto de estudo em Maringá (Noroeste). O projeto é desenvolvido pelo Departamento de Enfermagem da Universidade Estadual de Maringá (UEM), com o objetivo de monitorar, ao longo do primeiro ano de vida, todos os bebês incluídos no Programa Municipal de Vigilância do Bebê de Risco, criado há nove anos pela prefeitura como determinação do governo federal.
Professores, alunos e enfermeiros voluntários formaram 11 equipes, que se dividiram por subregiões da cidade para visitar as famílias em suas casas. Serão seis visitas durante toda a pesquisa, que têm início aos 15 dias de vida do bebê e termina quando a criança completa um ano de idade.
Participam do projeto bebês nascidos com peso menor que 2,5 quilos, pontuação apgar -nota atribuída ao recém-nascido de acordo com as condições de nascimento e respiração do primeiro ao quinto minuto de vida- menor ou igual a 7 no quinto minuto de vida, idade gestacional inferior a 36 semanas, que apresentam algum tipo de anomalia, filhos de mães portadoras do vírus HIV e com idade materna menor ou igual a 17 anos. Também são levados em conta critérios como condição socioeconômica da família e uso de drogas pela mãe.
Segundo a enfermeira Sônia Marcon, coordenadora do projeto, dois funcionários e um enfermeiro da Secretaria de Saúde de Maringá são responsáveis por identificar os bebês de risco logo após o nascimento, em visitas aos hospitais. Dos bebês nascidos em Maringá entre maio e outubro do ano passado, 384 foram considerados de risco (17,24% do total). Conforme Sônia, destas famílias, 38 se recusaram a participar do projeto, 23 mudaram de cidade, 21 foram excluídas por não residirem na cidade, oito informaram um endereço inexistente e 12 bebês morreram.
"Nas visitas, as equipes pesam e medem o bebê e acompanham o desenvolvimento neuromotor da criança", informa a coordenadora. Segundo ela, as visitas domiciliares também têm o objetivo de conhecer o perfil de morbidade das crianças e das mães, "quantas vezes ficaram doentes, que doença tiveram, se precisaram ser internados", explica Sônia.
Segundo ela, dos 282 bebês visitados, apenas 20 apresentam alguma anomalia. "Muitos bebês se recuperaram bem da condição de prematuros e nem precisariam ser incluídos no programa municipal."
João Victor tinha apenas 1.895 gramas quando nasceu, com oito meses de gestação, em agosto do ano passado. Prestes a completar dez meses de vida, o bebê, que ficou internado por 14 dias após o parto -cinco deles na Unidade de Terapia Intensiva- esbanja saúde sempre que a equipe da UEM visita a família para atualizar os dados da pesquisa. Mãe adolescente e de primeira viagem, Pamela Kalinovski de Oliveira Barcala, 18 anos, sofreu pré-eclâmpsia e anemia quando estava grávida e passou as duas últimas semanas de gestação internada. "Tive um pouco de medo por ele ser prematuro. Estava consciente de que teria que ficar na UTI", confessa a mãe, que não sentiu dificuldade para cuidar do bebê em casa.
Pamela acredita que o projeto é um bom apoio às mães, que precisam de aconselhamento. "Nem todas têm a sorte, como eu, de o bebê não ter sequelas", analisa a jovem. "Tive muito medo de ficar no hospital, me deu uma agonia ficar lá, parecia que o tempo tinha parado. Na próxima gravidez, pretendo cuidar melhor da alimentação, principalmente controlar o sal, para evitar a pressão alta e não precisar de repouso."


