Curitiba Depois de cinco anos da implantação do Programa Estadual de Prevenção e Controle do Câncer Ginecológico, em 1997, o número de mortes de mulheres com câncer cérvico-uterino praticamente não teve alteração, permanecendo numa média de 23 mortes por mês. A expectativa da Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, é que este número comece a decrescer a partir de agora, já que o programa conseguiu atingir seu principal objetivo, que é a detecção precoce da doença na maioria dos casos, permitindo seu tratamento e até mesmo a cura total.
Em 1997, cerca de 70% dos cânceres de colo de útero eram detectados já em estado adiantado, com lesões de alto grau, contra 21% que ainda apresentavam lesões menores e passíveis de cura. Pesquisa da secretaria sobre os cinco anos do programa mostram que a reversão dos números: atualmente só 21% dos casos são diagnosticados tardiamente contra 79%, que são detectados em fase de alteração celular ou com lesões pequenas.
''Trazendo a mulher mais cedo e mais frequentemente para os exames conseguimos inverter a situação. Com isso, a tendência é que a mortalidade também passe a cair'', explica a diretora de Sistemas de Saúde da secretaria, Márcia Huculak. Os resultados do programa e sua ampliação, a partir deste ano, com o Programa de Prevenção de Câncer de Mama que já está sendo implantado no Estado foram temas, ontem, do V Encontro Paranaense de Prevenção e Controle do Câncer Ginecológico, dirigido a médicos, enfermeiros e técnicos da secretaria que atuam na área.
Nos cinco anos do programa, a cobertura de exames preventivos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) aumentou de 13% para 85% das mulheres a cada ano. Realizado pelos serviços de saúde dos 399 municípios do Estado, hoje o programa realiza sistematicamente exames preventivos em cerca de 43 mil mulheres, mensalmente. Ao todo, foram realizados 2.244.158 exames do tipo Papanicolau, que consiste na coleta de material para análise laboratorial. Destes, um total de 44.621 exames apresentaram algum tipo de alteração. Ou seja, 1,99% das mulheres examinadas estavam em algum estágio do câncer.
Depois de obter bons resultados na prevenção ao câncer de colo de útero, o novo desafio da secretaria, agora, é reduzir a incidência do câncer de mama. ''Ao contrário do câncer de colo de útero, que pode ser prevenido com exames anuais, o câncer de mama não tem prevenção porque é resultado do hábito de vida atual'', explica Vinícius Milani Budel, coordenador do Programa de Prevenção do Câncer de Mama. Alguns fatores de risco, segundo ele, são mulheres que têm filhos tardiamente, alimentação inadequada, casos de câncer de mama na família, entre outros.

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