Programa de rádio louva a monarquia
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de abril de 1998
Guilherme Pupo 
Albari RosaMozart Heitor França: Falta discussão sobre o assuntoA monarquia brasileira não está restrita a coroas, roupas de imperadores, insígnias e demais objetos confinados em salas de museus. Em Curitiba, um grupo de jovens está fazendo um programa de rádio semanal para defender a volta do regime monárquico ao País. A Hora da Monarquia vai ao ar todos os sábados, das 19 às 20 horas, na Rádio Paraná, e já está completando três meses.
Segundo Mozart Heitor França, 38 anos, presidente da Frente Dom Pedro II, esse é o primeiro programa monárquico de rádio no País. Decidimos criar o programa porque a monarquia é algo absolutamente desconhecido entre os brasileiros, e falta discussão sobre o assunto, explica. De acordo com ele, os monarquistas descartam interesses eleitoreiros com o programa. Não queremos cargos públicos. Nossa meta não é chegar ao poder, é modificar o poder.
Em um dos quadros do programa, intitulado 500 Anos, os apresentadores relatam fatos da história brasileira desde o descobrimento do País. No bloco Você sabia?, há curiosidades e dados históricos sobre a monarquia. Fundos musicais e poesias com temas monárquicos complementam o programa.
Personalidades públicas e historiadores também são convidadas para debater sobre o tema. Entre os entrevistados, já participaram do programa o presidente da OAB, Edgard Luiz Cavalcanti de Albuquerque e o ex-prefeito de Curitiba Ivo Arzua, além de médicos e historiadores. O programa é ao vivo e aberto a perguntas dos ouvintes.
Outro tópico abordado é a defesa dos interesses parananeses, com a valorização de fatos históricos ocorridos no Paraná e personalidades que teriam sido marcantes na história. Falta auto-estima aos paranaenses. A maioria não conhece detalhes sobre a história estadual e a importância de personagens como Marechal Floriano e o Barão do Cerro Azul, assassinado sem julgamento na ferrovia Curitiba-Paranaguá, observa.
Para manter o programa, os monarquistas fizeram contam com alguns patrocínios. Pelos telefonemas que estamos recebendo, podemos dizer que a audiência está sendo muito boa, garante Mozart França.
Formiguinha - Segundo o presidente da Frente Dom Pedro II, os defensores do regime monárquico no País têm um trabalho de formiguinha para convencer os brasileiros sobre as vantagens de se ter um imperador no comando do País. Tudo tem seu tempo. Ninguém imaginava que o regime comunista da Rússia caísse como um castelo de cartas, comenta.
Sobre o número de associados à frente monárquica, Mozart França diz que atualmente não há um cadastro, mas revela que o movimento perdeu a força após o plebiscito realizado em abril de 1993 (quando os brasileiros tiveram que escolher entre os regimes presidencialista ou parlamentarista e monarquista ou republicano). Na época do plebiscito, chegamos a ter 2 mil associados. Hoje, não devemos ter nem a metade disso, diz. No Paraná, há grupos de jovens monarquistas em Curitiba, Ponta Grossa, Londrina, Maringá e Castro.
No próximo mês, os príncipes Dom Bertrand e Dom Luiz de Orleans e Bragança devem vir a Curitiba a convite da Frente Dom Pedro II. A visita deve incluir um passeio de trem a Paranaguá, em homenagem ao Barão de Cerro Azul (executado no quilômetro 65 da ferrovia), e um evento em comemoração aos 300 anos de Paranaguá.


