Mesmo sem ter saído do papel, um projeto da Secretaria Municipal de Saúde de Londrina despertou a atenção do governo federal. O Programa Municipal de Fitoterapia, lançado em setembro, ganhou ontem o apoio oficial do Ministério da Saúde (MS). Mas assim como o projeto, o protocolo assinado no gabinete do prefeito Nedson Micheleti (PT) ainda não trouxe mudanças.
O coordenador do Departamento de Economia de Saúde, ligado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do MS, Haroldo Ferreira, não mencionou cifras de investimento. ''Viemos conhecer mais de perto o programa, pois é de interesse do Ministério estimular projetos como esse'', resumiu. A idéia do programa municipal é empregar ervas medicinais como guaco, espinheira santa e ginkgo biloba muito utilizadas em receitas caseiras no tratamento de pacientes na rede pública de saúde.
Segundo Ferreira, o uso de plantas medicinais tem estado no centro de discussões em seminários e conferências nacionais. A intenção do MS é juntar as propostas coletadas para elaborar ações específicas sobre esse ramo da medicina. ''Temos no Brasil uma das maiores biodiversidades do mundo e precisamos avaliar como utilizá-la'', completou.
Para o coordenador do Programa de Fitoterapia em Londrina, o médico Rui Diniz, uma das medidas mais urgentes a serem tomadas pelo MS diz respeito à legislação. Ele acredita que um dos entraves à inclusão da fitoterapia na Saúde Pública é a necessidade de adquirir apenas medicamentos industrializados. ''Nossa idéia inicial era usar medicamentos manipulados no programa, mas a lei nos obriga a comprar produtos de indústrias vencedoras de licitação'', lamentou.
Segundo Diniz, foi esse o motivo que levou ao atraso na implantação do programa. Lançado em setembro, até agora o projeto não saiu do papel. Os medicamentos só foram recebidos na semana passada o pedido teve de ser refeito porque as empresas contratadas haviam entregue produtos fora das especificações. Da lista de nove medicamentos que seriam usados no programa, restaram apenas seis. Isso porque, segundo Diniz, os custos foram subestimados no levantamento inicial.
O projeto contempla as 13 unidades básicas de saúde (UBS) da Zona Rural de Londrina, mais a UBS do Jardim Eldorado (Zona Leste). A idéia inicial era expandir a iniciativa para outras unidades do perímetro urbano em um prazo de seis meses. Entre os medicamentos que deverão ser utilizados, estão antiinflamatórios, calmantes e cicatrizantes.

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