Cinco anos depois do lançamento do ‘‘Paraná Mais Transporte’’, apenas dois dos 14 municípios da Região dos Campos Gerais beneficiados com o programa tiveram suas obras concluídas. Subsidiado com verbas do ‘‘Caminhos da Educação’’, o programa tinha como meta a pavimentação de diversas estradas da microrregião de Ponta Grossa. Os convênios foram assinados, mas apenas Carambeí - com investimentos de aproximadamente R$ 824 mil -, e um trecho entre Ponta Grossa e Teixeira Soares - que custou R$ 851 mil -, tiveram os trechos projetados pavimentados.
Os dois programas são de responsabilidade da Secretaria Estadual de Transportes. Eles foram idealizados com o objetivo de assegurar o escoamento das safras e garantir o transporte escolar na zona rural. Em alguns municípios as obras tiveram início, mas logo foram paralisadas. Em outros a pavimentação nem sequer começou. O convênio da obra prevista para Guamiranga, por exemplo, foi cancelado. Nos nove municípios onde o serviço não foi concluído, o que deveria ser sinônimo de progresso tornou-se um problema para prefeituras e população.
Castro é um exemplo. O município aguarda a pavimentação de uma importante via do interior. É a estrada do Capão Alto, que possui 23 quilômetros de extensão e um custo aproximado para pavimentação de R$ 906 mil. Ela liga uma grande região produtora de grãos à localidade de Castrolanda.
O prefeito Claudioni Braga diz que o governo do Estado se comprometeu em várias ocasiões e que a situação ficou constrangedora diante da comunidade. Para o prefeito, que em janeiro deixa a prefeitura, esta estrada, juntamente com outra obra parada no município, a estrada do Socavão, dariam suporte a um maior crescimento para Castro.
Em Ipiranga, o prefeito Roberto Gomes de Lima também diz enfrentar uma situação embaraçosa porque prometeu à população a pavimentação da estrada até a localidade de Faxinal de São Braz, mas a obra ainda não foi concluída. O convênio entre o município e o governo do Estado é de 96. A estrada, de 17 quilômetros, foi iniciada no mesmo ano, paralisada em 97, e está até hoje com o serviço pela metade. Cerca de quatro quilômetros receberam asfalto e o restante ficou apenas na terraplenagem.
Roberto de Lima isenta-se de culpa: ‘‘a responsabilidade é do governo do Estado. Nós cansamos de pedir a interferência de nossos deputados, mas a obra continua parada, e o que é pior, com grande parte do serviço já perdido’’, lamentou o prefeito. De acordo com o prefeito, a pavimentação da via é importante para o escoamento agrícola e para o transporte de estudantes.
Apesar da triste realidade vivida pela maioria dos municípios que integram o programa, Jaguariaíva e Reserva continuam alimentando esperanças. A Estrada do Pesqueiro, em Jaguariaíva, foi retomada recentemente e a previsão é de que custe R$ 798 mil. As obras em Reserva, que teoricamente também já tem recursos garantidos, vai custar R$ 1,25 milhão e devem ser reiniciadas nos próximos dias.

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