Programa da UFPR institui 'trote humano'
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quinta-feira, 25 de novembro de 2004
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Os 4.144 candidatos que passarem no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) não serão obrigados a pedir esmolas pelas ruas, pagar pedágio aos veteranos, raspar o cabelo e nem a se submeter a um banho de lama, características dos trotes de ingresso nas instituições de ensino superior. É esse o objetivo do programa Trote Humano, lançado ontem pela reitoria da universidade, com a participação de entidades representantivas dos estudantes, professores, servidores e membros da instituição. Eles assinaram um compromisso simbólico se comprometendo a realizar um trote sem violência e mais solidário aos calouros.
A preocupação maior, segundo o reitor Carlos Moreira Júnior, é com os trotes realizados pelos cursos, individualmente, na primeira semana de aulas. ''Os calouros passam por um trote e quando chegam no segundo ano querem fazer o mesmo com seus calouros. É uma cultura que tem que ser mudada. O aluno tem que entender que não precisa fazer um trote, mas sim uma recepção, que pode ser educada e respeitosa'', diz o reitor.
Com as mudanças no trote, um dos objetivos da UFPR é evitar qualquer possibilidade de constrangimento para alunos que forem admitidos por meio da política de cotas reservadas a afrodescendentes e alunos oriundos de escolas públicas. ''Nós vivemos em uma sociedade muito preconceituosa. Em 20 mil jovens que são representativos dessa sociedade, seria de estranhar se não houvesse alguma atitude discriminatória. Só não podemos ver isso como uma coisa natural'', diz a vice-reitora Maria Tarcisa Silva Bega. Recentemente, a UFPR enfrentou problemas de discriminação em alguns cursos, com alunos que entraram na instituição para ocupar vagas ociosas.
O trote coletivo, realizado no dia da divulgação do resultado do vestibular, seguirá a mesma proposta de trote humano, apesar de ser mais fácil de controlar. De acordo com o reitor, alguns cursos já realizam trotes voluntários, mas em alguns áreas, como Agrárias e Tecnológica, houve problemas nos últimos anos.
Segundo Maria Tarcisa, para definir os moldes dos trotes a serem realizados estão sendo formados Comitês Setoriais para Recepção aos Calouros nas 11 áreas da universidade. Todas as decisões, segundo ela, serão tomadas em acordo com os coordenadores de curso e centros acadêmicos. Para conscientizar a comunidade sobre as mudanças, a UFPR também conta com uma campanha publicitária, desenvolvida dentro da instituição, junto a cursinhos e estudantes do ensino médio, com a entrega de cartilhas e folhetos. A UFPR também disponibilizou o telefone 0800-6438377 para denúncias de abusos no trote.


