Segundo coordenador do programa, os veículos contam com câmeras de curto alcance; as de longo alcance foram prometidas pelo governo federal
Segundo coordenador do programa, os veículos contam com câmeras de curto alcance; as de longo alcance foram prometidas pelo governo federal | Foto: Fábio Alcover



Os dois ônibus da Guarda Municipal de Londrina que deveriam ser utilizados no monitoramento dos usuários de drogas dentro do programa "Crack, é possível vencer" não podem cumprir integralmente sua função por falta de equipamentos e infraestrutura. Os ônibus são vistos com frequência nas ruas, especialmente na região central, mas as câmeras de monitoramento ficam desligadas durante a maior parte do tempo por falta de pontos de energia elétrica. As câmeras instaladas nos veículos também não são as mais adequadas para a função. O governo federal deveria ter fornecido os equipamentos, mas como isso não aconteceu, o município teve de improvisar.
Criado pelo governo federal, o programa foi implantado no município em 2015 e atua em três frentes - prevenção, cuidado e autoridade -, de forma multidisciplinar, com o envolvimento das secretarias de Educação, Saúde, Assistência Social, Defesa Social e de Governo. São várias as ações desenvolvidas, como o Consultório na Rua, no qual profissionais da saúde realizam testes para diagnósticos de doenças sexualmente transmissíveis e prestam serviços de atendimento em saúde básica, além de encaminhar dependentes químicos para tratamento. Mas as bases móveis de videomonitoramento são fundamentais para o combate e prevenção do uso de crack.
"Sem os ônibus fica comprometido o trabalho da Guarda. O objetivo do ônibus é ter uma central de monitoramento itinerante que para em um ponto e faz o monitoramento por meio das câmeras instaladas ao redor dela", explicou o diretor administrativo da Secretaria de Defesa Social, Deividy André Vieira Leal.
Os ônibus estão em circulação, mas as centrais de monitoramento passam boa parte do tempo desligadas por falta de pontos de energia elétrica. A Defesa Social solicitou à Secretaria de Obras a instalação dos pontos em março, mas até agora não houve resposta. Sem eletricidade, a central de monitoramento é alimentada por geradores de energia, mas o custo de manutenção desses equipamentos é alto e a autonomia, baixa.
As câmeras também não são adequadas para esse tipo de trabalho. Pelo convênio firmado com o município, o governo federal se comprometeu a instalar 20 câmeras em cada ônibus, mas a licitação para a compra dos equipamentos não foi feita e o município instalou sete câmeras em cada base móvel com recursos próprios. "Não sabemos se é o mesmo tipo de câmera previsto para o programa. As nossas são câmeras de ponta, com imagens HD (alta definição)", disse Leal. "Na medida do possível, estamos trabalhando para fazer o programa contra o crack." Além das duas bases móveis, o programa também recebeu do governo federal dois automóveis e duas motocicletas que auxiliam o monitoramento.
"Os ônibus têm câmeras de curto alcance. As de mais longo alcance viriam do governo federal, mas não veio", explicou o coordenador do programa, Roberto Alves Lima Júnior. O secretário municipal de Obras, Walmir Matos, disse desconhecer o pedido da Defesa Social para instalação dos pontos de energia.

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