Programa conscientiza pescadores
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quinta-feira, 26 de abril de 2001
Benedito Teles De Santo Antônio da Platina 
A Associação de Pescadores Conscientes (APC) de Santo Antônio da Platina (20 quilômetros de Jacarezinho) em parceria com o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e o Corpo de Bombeiros da cidade soltaram cerca de 10 mil alevinos de Lambari, Pacu e Curimba, no Rio das Cinzas, ontem às 15h, em Santo Antônio da Platina. A atividade faz parte de um programa de conscientização ambiental e fiscalização contra pesca predatória desenvolvida pela entidade. De acordo com os coordenadores do programa o objetivo é recuperar a fauna do rio.
A APC financia a vinda de policiais florestais de Telêmaco Borba e Londrina e acompanha à fiscalização dos policiais para coibir a utilização de redes e tarrafas por pescadores nas margens do rio. Os recursos são obtidos mediante a doação dos sócios e da colaboração da prefeitura municipal. Em 2000 a polícia florestal em conjunto com a entidade chegou a apreender quase 2 mil metros de rede em uma das operações. Os voluntários conversam com a população ribeirinha e esclarecem os pescadores locais sobre a necessidade de preservação do meio ambiente, além de realizar entrevistas à rádios e esclarecimentos.
De acordo com um dos fundadores da entidade, Fernando César da Silva, o grupo é composto por pescadores que perceberam a necessidade de preservar o meio ambiente. Ele admite que praticou pesca predatória e que colaborou para a depredação ambiental, mas assegura que está redimido. Percebi a intensidade do prejuízo que estava provocando, então mudei minha conduta, disse.
O pescador Miguel Maria de Melo Filho explica que a principal dificuldade da entidade é a falta de recursos. Precisamos de um barco e de motores para realizar o nosso trabalho, com os equipamentos teríamos condições de fiscalizar o rio com mais intensidade, disse. Ele explica que a região precisa de um posto da Polícia Florestal e alerta que os policiais florestais de outras cidades realizam a fiscalização somente com o apoio da comunidade.
O tesoureiro da entidade Roberto Reinutti disse que os membros da entidade sofrem ameaças de morte constantes. Segundo ele o trabalho de fiscalização é muito perigoso. Muitas vezes fomos surpreendidos por caçadores e pescadores armados que tentaram nos coagir, disse. O pescador Cláudio Cesar Gomes disse que o número de peixes aumentou muito depois que a entidade começou a agir. O trabalho é importante, sempre tem peixe. Antes do trabalho a gente não pegava nada, disse.


