Programa beneficia mais 183 cidades
Da Redação
Divulgação
O governo do Estado lança amanhã a sétima etapa do Da Rua Para a Escola, programa inédito no Brasil, premiado pelo Unicef, fundo da Organização das Nações Unidas para a infância e adolescência. Nessa nova fase, o Da Rua Para a Escola será estendido a mais 183 municípios do Paraná, alcançando agora 389 municípios. Para beneficiar todo o Estado, restam dez municípios, que dependem do interesse dos prefeitos para ingressarem no programa.
O Da Rua Para a Escola parte de uma idéia simples para levar a assistência do Estado a famílias em situação de risco social. Os pais de crianças fora da escola recebem uma cesta básica para que os filhos voltem a frequentar a sala de aula.
Nas fases anteriores, o programa já garantiu o retorno à sala de aula de 40 mil crianças com a distribuição de 12.491 cestas. Com o início da nova fase, serão mais 10.677 cestas, num total de 23.168. Em média, cada município recebe 60 cestas. Cada uma pesa cerca de 40 quilos.
A supervisão do programa começa a produzir dados sobre a nova realidade das famílias beneficiadas. Mas antes dos números estarem prontos, Maria Cristina Stravolo, uma das supervisoras, diz que já é possível afirmar que houve ganho na qualidade de vida dessas pessoas.
Segundo Cristina, para quem não conhece o programa, a simples distribuição de uma cesta básica pode não parecer suficiente para reverter a situação de risco dessas famílias. ‘‘O que ocorre é que a cesta é só um chamariz para um trabalho muito maior’’, diz ela. ‘‘É prestado um atendimento a toda família.’’
De acordo com as explicações da supervisora, trata-se mesmo de uma pequena e silenciosa revolução. No atendimento específico à criança, o primeiro benefício é o efeito multiplicador. Com uma única cesta, o Estado consegue devolver à sala de aula todos os filhos em idade escolar da família beneficiada.
Para que a entrega da cesta não seja interrompida, as crianças precisam ter frequência de 80% na escola. O programa prevê uma parceria entre Estado e município. O primeiro entrega a cesta; o segundo dispõe uma estrutura de atendimento social para as famílias.
Uma das funções do município é garantir um contraturno social às crianças. Ou seja, depois da escola, elas desenvolvem atividades de lazer ou participam de cursos profissionalizantes. Além das crianças, há o atendimento aos pais. O Estado procura garantir a eles o aprendizado de algum ofício. ‘‘Muitas mães estão aprendendo a fazer pão, salgadinhos, o que permite aumentar a renda familiar’’ , diz Cristina.
O programa se preocupa também em dar cursos de cozinha alternativa a essas mães, para que elas possam aproveitar de maneira mais racional os alimentos, explorando o máximo de seus nutrientes. Além disso, Estado e município garantem também atendimento médico-odontológico a todas as famílias.
‘‘Para retirar a cesta, os pais precisam assinar um documento. Os analfabetos carimbam o dedo’’, afirma Cristina. ‘‘Hoje, muitos desses já estão assinando o nome. Ou seja, o resultado é tão fantástico que há casos em que os próprios pais também voltaram ou decidiram começar a estudar.’’

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