Programa beneficia agricultores e indígenas
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segunda-feira, 17 de maio de 2004
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba O governo do Paraná promete entregar, até o final deste ano, 1.347 moradias populares, através dos programas Casa da Família Rural e Casa da Família Indígena, para habitantes de 52 municípios. A promessa foi feita ontem pela manhã no Palácio Iguaçu, quando foram assinados, na presença do governador Roberto Requião (PMDB), convênios de cooperação com os prefeitos das cidades beneficiadas. Também estiveram presentes representantes de tribos indígenas do Estado.
Segundo o presidente da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), Luiz Claudio Romanelli, estão sendo investidos R$ 12,5 milhões no programa Casa da Família Rural e aproximadamente R$ 3 milhões do programa Casa da Família Indígena.
O Casa da Família Rural prevê a construção de mil moradias de 52 metros quadrados destinadas às famílias de agricultores com renda de aproximadamente um salário mínimo. Os agricultores só deverão pagar o equivalente a um terço do valor da moradia. O Casa da Família Indígena prevê a construção de 347 moradias nessa fase.
Para Romanelli, o programa Casa da Família Rural será um novo instrumento de inclusão social, ''que vai segurar os pequenos agricultores no campo garantindo produção.'' Segundo o secretário de Estado da Agricultura, Orlando Pessuti, os programas servirão de projeto-piloto, pois a intenção do governo Requião é estabelecer novas parcerias para gerar ainda mais moradias.
Cerca de 28,8 mil agricultores familiares paranaenses moram em espaços precários e precisam de apoio oficial para construir casas com infra-estrutura habitacional mínima, segundo dados da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep). O presidente da entidade, Ademir Mueller, participou ontem da solenidade no Palácio Iguaçu.
Segundo Mueller, a iniciativa do governo é boa, mas atinge um público muito pequeno. ''Mais agricultores familiares periféricos precisam ter essa chance e esse não é um problema apenas do Paraná'', disse. Ele disse que o problema é grave e, por isso, voltou à pauta do Grito da Terra Brasil. O evento começou oficialmente ontem, em Brasília, e vai até sexta-feira.
De acordo com a Faep ainda, os agricultores familiares periféricos que plantam praticamente para subsistência e correm o risco de ser obrigados a vender suas terras por falta de incentivo representam cerca de 30% da categoria no Estado, que abrange 320 mil pequenos produtores. Ao lado dos periféricos, há ainda 35% classificados como consolidados (moram em casas adequadas, têm acesso a alguns equipamentos e tecnificação) e outros 35% em fase de transformação (ascendendo na atividade ou aumentando o grupo dos mais carentes).


