Programa atende vítima de violência
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sexta-feira, 08 de março de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Em média, 370 mulheres de Curitiba são vítimas todos os meses de violência sexual ou de agressões cometidas pelo próprio parceiro. A estatística, no entanto, pode ter uma dimensão muito maior, já que muitas delas, por receio ou constrangimento, acabam não registrando a denúncia. Para ter um diagnóstico mais preciso desses casos, a Secretaria de Saúde de Curitiba lançou ontem, no Dia Internacional da Mulher, o programa de Atenção à Mulher Vítima de Violência Mulher de Verdade. No Brasil, segundo o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, a cada minuto, quatro mulheres são vítimas de violência.
O secretário municipal de Saúde, Luciano Ducci, explicou que o programa será baseado em um protocolo, que estabelece os procedimentos básicos a serem adotados nas 105 unidades de saúde da Capital no atendimento à mulher agredida ou violentada. Todos os profissionais dessas unidades cerca de 4 mil passaram por cursos de capacitação para dar atendimento a esses casos. Um dos critérios será a notificação obrigatória.
O tratamento oferecido nas unidades de saúde vai desde o acompanhamento psicológico das vítimas e agressores até a medicação para prevenir Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), aids, hepatite B e, ainda, a anticoncepção de emergência com a pílula do dia seguinte nos casos de estupro. A secretaria também se encarregará de encaminhar as mulheres para o aborto legal no Hospital de Clínicas, Evangélico e Pequeno Príncipe.
Perfil traçado com base nas ocorrências registradas pela Delegacia da Mulher, em Curitiba, mostra que 90% das agressões ocorrem no meio familiar. Os agressores de hoje, segundo o estudo, foram agredidos anteriormente, e a maioria das mulheres já haviam apanhado mais de dez vezes antes de denunciar.


