Cascavel - Portadores de hanseníase da região de Cascavel (Oeste) terão atendimento feito por uma equipe multidisciplinar, que inclui fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais e médicos ortopédicos. O programa já atende 80 pacientes há um mês e foi lançado, oficialmente, ontem pela manhã durante uma cerimônia no Centro de Reabilitação Física da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste - Campus de Cascavel).
De acordo com psicólogo e coordenador administrativo do Centro, Dorisvaldo Rodrigues da Silva, a reunião define a atuação do Centro que dará atendimento aos pacientes, de acordo com a necessidade específica de cada um. ''Será um atendimento mais completo, com acompanhamento de várias especialidades, necessárias para o tratamento dos doentes''.
O encaminhamento dos pacientes será feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No total, 33 municípios na região de Cascavel são atendidos pelo Sistema. ''O trabalho vai se caracterizar como um dos poucos serviços deste gênero oferecido no Estado do Paraná'', afirmou Silva. As prescrições médicas continuarão sendo feitas pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Oeste Paraná (Cisop).
Os resultados, segundo Silva, neste primeiro mês de atendimento são positivos. ''É uma iniciativa importante, pois estamos conseguindo oferecer um serviço de qualidade, eficiente, e gratuito aos pacientes que precisam''.
O Centro de Reabilitação Física funciona no Campus da Unioeste de Cascavel e atende uma média de 60 pacientes por dia. A equipe é formada por dois médicos ortopedistas, um psicólogo, um fonoaudiólogo, uma assistente social, uma terapeuta ocupacional, cinco enfermeiras, sete fisioterapeutas além do setor de apoio técnico.
Com exceção dos profissionais que atuam na fonoaudiologia e na assistência social, os demais profissionais e professores fazem parte do quadro da Unioeste. A partir do próximo ano está prevista ainda a contratação de um nutricionista.
Doença
A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa, de evolução lenta, causada por uma bactéria (Mycobacteriun lepral ou baciso de Hansen) transmitida pelas vias aéreas, que se manifesta, principalemente através de sinais e sintomas dermatoneurológicos: lesões na pelo e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés.
Na pele a moléstia causa manchas (de cores variadas) com diminuição da sensibilidade ou formigamento. Nos nervos a hanseníase causa as neurites - inflamações que causam fraqueza muscular e deformidade.
O comprometimento dos nervos peroféricos é a característica principal da doença, com grande potencial para provocar incapacidades físicas, que podem, inclusive, evoluir para deformidades. Essas incapacidades e deformidades podem acarretar problemas como diminuição da capacidade de trabalho, limitação da vida social e problemas psicológicos. São responsáveis também pelo estigma e preconceito contra a doença.
O tratamento, de acordo com a dermatologista Michele Barros Toccolini, que integra o Centro Reabilitação Física de Cascavel, dura entre seis meses a um ano, com prolongamento para dois anos em casos mais graves.
A doença é contagiosa, mas segundo a dermatologista, para ocorrer a transmissão da hanseníase, é necessário um contato íntimo e prolongado com o doente. ''90% da população tem imunidade contra a doença. Apenas 10% tem propensão para adquirí-la. Só as pessoas que têm baixa resistência para aquele tipo de bactéria é que vão contrair a hanseníase se o contato com o doente for prolongado''. A faixa etária mais atingida pela hanseníase é de adultos jovens.
Ainda segundo a dermatologista, a doença tem cura. ''Combatida a bactéria morre. O que pode acontecer são as sequelas e as reações hansênicas, que são as dores nos nervos e as manchas pelo corpo, leves ou graves''. Os pacientes são tratados com antibióticos, conhecidos como cartelas. ''No primeiro mês de uso da cartela, o paciente já não transmite mais a doença. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor''.

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