Sofrendo de asma desde pequena, a costureira Sandra Pereira de Paula faz o acompanhamento médico há oito anos, na Policlínica de Londrina. As crises constantes levavam a costureira ao hospital várias vezes, mas hoje a situação é outra. Alterações na casa, como a retirada de cortinas, tapetes e outros objetos que provocam alergia, garantiram a melhora na qualidade de vida. ''A diferença hoje é imensa. Sigo à risca as orientações dos médicos e enfermeiros e melhorei muito.''
Sandra é uma das pessoas beneficiadas através do Programa Municipal de Asma, criado em 2004 pelo pneumologista Alcindo Cerci Neto. Docente na Universidade Estadual de Londrina (UEL), Alcindo Neto defende uma tese de doutorado com o resultado do tratamento, considerado referência em todo o estado e que já inspirou programas semelhantes em outras cidades. Atendendo toda a rede pública, mais de 15 mil pacientes já passaram pelo programa em Londrina . ''Hoje temos 5.575 pacientes com acompanhamento completo'', afirma.
O acompanhamento no caso de Sandra é feito com fisioterapia, vacinas e uso de aparelho para ajudar na respiração. Segundo ela, o tratamento ''traz segurança aos pacientes''. ''É uma doença terrível que precisa de acompanhamento. Hoje, aprendi a respirar com a orientação na fisioterapia. Quando a crise acontece, não fico mais desesperada. Respiro da forma correta e consigo esperar que ela passe''.
Os pacientes são tratados com medicamentos e aparelhos fornecidos pela própria rede de saúde. Além do tratamento preconizado, são feitos acompanhamentos com palestras para os pacientes e para as famílias, tratamento fisioterápico, além de visitas domiciliares. Funcionários orientam os pacientes sobre mudanças nos ambientes, como a retirada de tapetes, cortinas e bichos de pelúcia, que ajudam a evitar as crises.
Segundo Alcindo Neto, a maior dificuldade em relação ao programa é a adesão de pacientes em relação ao tratamento. ''O resultado é rápido e muitos abandonam o tratamento assim que começam a melhorar, o que não pode acontecer'', alerta. No caso de crianças, de acordo com o médico, os pais cuidam mais, mas os adultos acabam parando o tratamento.
A asma é uma doença inflamatória, crônica, ligada à alergia. É o estreitamento das vias aéreas pulmonares dificultando a respiração. ''Por ser crônica é uma doença que precisa de um tratamento contínuo. O tratamento muda a qualidade de vida do paciente.''
As técnicas utilizadas no tratamento, segundo Neto, são modernas e usam dispositivos inalatórios, fornecidos gratuitamente pelas Unidades Básicas de Saúde. ''São doses dez vezes menores do que as usadas nos remédios indicados para o tratamento e com eficácia maior''.
Cento e quarenta médicos e enfermerios da área de Saúde que prestam atendimento nas 53 Unidades Básicas de Saúde (UBS) passam por mais uma capacitação do programa. O treinamento teórico e prático tem duração de dois dias começou ontem e será encerrado hoje à tarde, na Vila da Saúde.

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