A prefeitura de Londrina, através da Secretaria de Ação Social, e a Federação Nacional das Associações Atléticas Banco do Brasil (Fenabb) assinaram, ontem de manhã, a renovação do convênio sócio-educativo, que oferece atividades artísticas, esportivas e de recreação a crianças e adolescentes de baixa renda.
O programa existe há mais de um ano e atende 120 crianças, entre sete e 14 anos, moradoras de bairros da zona leste. A maioria delas vem de famílias pobres que recebem auxílios públicos, como cesta básica da prefeitura ou o bolsa-escola do governo federal. No período em que não estão na escola, as crianças frequentam a sede da Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB). Lá elas participam de aulas de teatro, capoeira, artes, dança e de atividades recreativas como cama elástica, karaokê e visitas a parques da cidade.
De acordo com o presidente da AABB de Londrina, Carlos Alberto Cavalcante de Oliveira, a Fenabb já tinha o programa BB Comunidade há três anos atuando em Londrina, com a participação de crianças de todos os bairros. ''Nós abrimos nosso espaço para o programa Viva a Vida, da prefeitura, e agora podemos oferecer atividades para as crianças dos bairros mais próximos, enquanto as demais são atendidas em outras unidades do programa'', explicou. Além das aulas e brincadeiras, as crianças recebem três refeições durante o período que ficam na AABB.
A Fenabb repassa R$ 24 mil por ano para financiar a compra de materiais e uniformes, enquanto a prefeitura fornece R$ 118 mil por ano, para pagar os educadores que trabalham com as crianças e a alimentação. De acordo com a gerente administrativa do Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar), parceiro da prefeitura na atividade, Lenir Cândida de Assis, a intenção é tirar as crianças das ruas. ''Muitas destas crianças eram catadores de papel, pediam dinheiro em sinais de trânsito. Queremos abrir novos horizontes para elas''.
Oito educadores trabalham com as crianças, oferecendo aulas e apoio psicológico. Rosenéia de Moraes Paez Azevedo, auxiliar de coordenação do programa, disse que muitas crianças chegam na AABB se sentindo rejeitadas pela comunidade e com dificuldade para lidar com os outros. ''Muitas crianças acham que a população não gosta delas porque são pobres. Leva um certo tempo para elas verem que existem pessoas que gostam e se preocupam com elas'', comentou.
Familiares das crianças também participaram da cerimônia de assinatura do convênio. A dona de casa Maria das Dores dos Santos, 60 anos, tem uma neta participando do programa e diz que já é possível ver a diferença no comportamento da menina. ''Antes ela era irritada, agora está mais tranquila. Além do mais, aqui ela tem mais oportunidade do que quando ficava na rua'', afirmou. A neta de dona Maria, Lucimara Aparecida dos Santos, 11 anos, faz aulas de futebol, teatro e dança na AABB. ''Aqui a gente aprende coisa diferente. Os professores e os colegas são legais'', relatou.
Outras duas sedes do programa Viva a vida estão em fase de finalização e devem ser entregues à comunidade em setembro desde ano. Um deles será na zona oeste, com capacidade para atender 160 crianças, e o segundo funcionará no distrito de Paiquerê (zona sul), para 80 crianças.

mockup