Programa atende crianças asmáticas
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terça-feira, 03 de junho de 2008
Micaela Orikasa<BR>Reportagem Local 
Cambé - A dona de casa Sheila de Almeida da Silva já perdeu as contas de quantas vezes teve que levar o filho John Henrique, de 3 anos, às pressas ao hospital. ''Ele tem asma desde um ano de idade e até já teve que ser internado por causa das crises'', conta.
Assim que Sheila ficou sabendo dos grupos de asma em Cambé, não teve dúvidas em se cadastrar. Hoje, com menos de um ano de tratamento, ela comemora a saúde do filho. ''Ele não teve mais crise e estamos na fase de retirada dos medicamentos. É uma melhora visível'', diz, animada.
A história de John é apenas um caso entre os 400 cadastrados no programa para crianças asmáticas (de 0 a 14 anos), criado há dois anos pela rede pública de Saúde de Cambé. Através dos chamados ''grupos de asma'', uma equipe formada por médico, enfermeiros, auxiliares de enfermagem e agentes comunitários de saúde promovem atendimentos semanais nas Unidades Básicas de Saúde das regiões Norte, Sul, Leste e Oeste. ''Resolvemos implantar esse modelo de atendimento descentralizado para que todas as crianças possam ter acesso ao programa'', explica o médico pediatra Silvio André de Góes Biral, coordenador do programa.
Segundo ele, a asma é uma doença muito comum e por isso apresenta números alarmantes de internações, principalmente entre as crianças. ''O índice nacional de ocorrência de asma é de 20% e, no último ano, ela foi a 4 causa de hospitalizações pelo SUS (Sistema Único de Sáude). Por isso, frisamos que a prevenção é o trabalho mais importante'', ressalta.
O especialista também afirma que após os três anos de idade é muito difícil diagnosticar a asma e, por isso, os pais devem ficar atentos aos sintomas. ''Tosse seca, principalmente à noite e de manhãzinha, falta de ar e chiado no peito. Geralmente, estes sintomas apresentam quadros repetitivos'', diz.
A enfermeira Andrea Muniz de Oliveira Alves, responsável pela Unidade Cambé IV, explica que o tratamento se baseia em etapas. Primeiro, a criança passa por uma avaliação médica para detectar o perfil asmático. Em seguida, é feito um cadastro e os responsáveis devem participar de palestras educativas. ''São orientações sobre a doença, o tratamento, cuidados e medicação'', explica. Após essa triagem são feitas as consultas médicas, onde os medicamentos indicados são fornecidos gratuitamente.
Mas o diferencial do tratamento são as visitas ambientais, feitas nas casas de todos os pacientes. De acordo com Andrea, em praticamente 60% dos casos a melhora ocorre a partir da adoção de hábitos simples como eliminar o uso de desinfetantes, perfumes, amaciantes de roupas, tapetes, cortinas, ursos de pelúcia, tabagismo, animais domésticos, entre outras.
''Nas visitas, eliminamos tudo o que pode causar uma crise asmática e procuramos conscientizar a família que a mudança de alguns hábitos garante a qualidade de vida das crianças. É por isso que essas visitas são extremamente importantes e se estendem até que os pacientes se tornem capazes de controlar a doença'', diz.
Serviço - Mais informações sobre os grupos de asma podem ser obtidas na UBS mais próxima ou pelo fone (43) 3174-0238.


