Programa amplia assistência a mulheres
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terça-feira, 09 de outubro de 2001
Célia Guerra<br> De Londrina 
As mulheres vítimas de violência sexual em Londrina terão, a partir de hoje, assistência médica e ambulatorial disponíveis durante às 24 horas do dia, na Maternidade Municipal Lucilla Ballalai. O serviço é oferecido através do Programa Rosa Viva, criado pela Secretaria Especial da Mulher em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. O lançamento do programa será às 10 horas, na maternidade, pelo prefeito Nedson Micheleti (PT) e os secretários Sílvio Fernandes da Silva (Saúde) Lygia Pupatto (Especial da Mulher).
O Rosa Viva, segundo Lygia Pupatto, além do atendimento médico, vai oferecer medicamentos especiais para a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e a gravidez indesejada. Essa assistência e o uso dos medicamentos, como destaca Lygia, precisam ser administrados até 72 horas após a agressão para que tenham o efeito preventivo.
Uma equipe composta por médicos ginecologistas, enfermeiras, assistentes sociais e psicólogas foi treinada para esse atendimento. O município já oferece, desde 1993, a assistência social, psicológica e jurídica, através do Centro de Atendimento à Mulher (CAM). Mas como destaca a diretora do CAM, Sandra Coelho, a diferença é que o Programa Rosa Viva irá suprir a falta de um espaço próprio e adequado para o socorro imediato após a agressão. ''A saúde da mulher terá prioridade. Depois é ela decide o que fazer contra o agressor.''
Dos casos de violência sexual contra a mulher, o estupro e o atentado violento ao pudor, de acordo com Sandra, são a terceira causa de atendimento no CAM. A primeira é a violência emocional (xingamentos, cárcere privado, ameaça contra a guarda dos filhos, impedimento ao trabalho ou ao estudo) seguida pela violência física (socos e surras). Os agressores, como destaca, não possuem classe social. Sandra comenta ainda que estimativas nacionais apontam que as denúncias só ocorrem em 10% dos casos.
A Delegacia da Mulher registrou, até o dia 30 de setembro, 1.466 denúncias de maus-tratos. O estupro, como mostra a delegada da Mulher, Maria Joseléia Pigozzi, corresponde a 4% dessas denúncias. A maioria desses casos ocorre dentro das casas dessas pessoas, tendo como principais responsáveis, pais e padrastos.
Numa pesquisa realizada pelo CAM, nos dois últimos anos (1999-2000) foram registrados 160 casos de estupro, cerca de 5 por mês. O número é considerado baixo, o que, para Sandra, mostra o medo e a vergonha de tornar pública a ocorrência. Os dados dessa pesquisa ainda estão sendo trabalhados para que o município possua uma estatística da faixa etária e o perfil do agressor.


