Programa ajuda alunos com problemas na UEL
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sexta-feira, 01 de setembro de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Tristeza, angústia, saudade da família e carência. O número de estudantes universitários com problemas emocionais tem aumentado. Implantado há 15 anos, o Programa de Acompanhamento ao Estudante com Necessidades Educacionais Especiais (Proene) da UEL já atendeu 493 jovens. Apesar de também atender estudantes com deficiência física, visual, auditiva e doenças crônicas, a maioria dos casos, 69,60%, são de alunos com problemas emocionais. Só no ano passado, 144 alunos com problemas psicológicos foram atendidos pelo Programa.
Por meio do Proene, alunos de graduação e pós-graduação conseguem ajuda para dificuldades no processo de ensino-aprendizagem, avaliação, além de problemas de relacionamentos com professores e colegas de sala. Os jovens estão inseridos nos mais variados cursos e séries.
Depois que procurou o Programa, o estudante do 4º ano de Arquitetura, Felipe Zanin Zanoni, 21 anos, se sente ''bem melhor''. Para ele, que sofre de transtorno bipolar (conhecido também como transtorno de humor), o relacionamento com alguns professores ou até mesmo com colegas de sala não era fácil. ''O transtorno bipolar é uma alteração de humor. Eu acho até pior que a depressão. Busquei ajuda do Programa há quatro anos quando estava no primeiro ano do curso. No segundo ano, cheguei a abandonar tudo e fiquei internado por um ano. Depois voltei e hoje estou me sentindo bem melhor'', diz.
Além de encaminhar o estudante para um profissional, que passou a acompanhá-lo, o Programa ajudou Felipe fracionando as disciplinas do curso, o que facilitou a rotina de estudos do jovem em momentos de crise. ''O bom é que eles interagem com os professores por nós. As pessoas acham que você falta na aula porque é vagabundo, não entende o que se passa com você'', comenta o estudante.
Segundo a coordenadora do programa, Célia Regina Vitaliano, a depressão é um dos atendimentos mais comuns. ''Dependendo do caso, o aluno nos procura por conta própria ou ficamos sabendo por meio de professores. Nós agendamos um horário, esse aluno preenche um formulário nos passando informações sobre seu desempenho, aí passamos a dar atendimento'', diz.
Célia salienta ainda que o Programa conta apenas com seis profissionais e que por isso, em alguns casos, tem apoio de institutos da comunidade para ajudar nos atendimentos. ''Quando os alunos chegam até nós, já estão faltando frequentemente nas aulas. O enfoque do Programa é educacional, com ênfase para casos de estresse gerado pelo acúmulo de atividades que alunos com problemas emocionais acabam não conseguindo acompanhar'', diz.
A psicóloga do Proene, Ingrid Ausec, explica que muitos dos jovens que buscam o Programa sentem falta da família que deixaram em outra cidade para estudar em Londrina. ''Eles sentem tristeza, se sentem incompreendidos, carentes. Em alguns casos, além do acompanhamento psicológico, também é necessário um atendimento psiquiátrico, para jovens que sofrem de fobia social, transtorno bipolar, entre outros casos'', diz.


